Distúrbios respiratórios do sono em crianças afetam memória

Estudo apresentado na conferência “Sleep and Breathing” em Barcelona

16 abril 2015
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As crianças com distúrbios respiratórios do sono podem apresentar dificuldades nos processos de memória, atesta um novo estudo.
 
Conduzido por investigadores da Universidade de Szeged e da Universidade de Eötvös Loránd, na Hungria, o estudo contou com a participação de 34 crianças, 17 das quais com idades entre os 6 e os 12 anos, que apresentavam distúrbios respiratórios do sono. As restantes crianças, que perfizeram o grupo de controlo e tinham idades semelhantes, não apresentavam problemas de sono. 
 
Os investigadores atribuíram às crianças uma tarefa que consistia em lembrarem-se de uma história ouvida, para medirem as memórias que podem ser lembradas de forma consciente, chamadas de memória declarativa. Foi também medida a memória não-declarativa das crianças, que consiste na aprendizagem de novas competências e sequências, através de uma tarefa de tempo de reação.
 
Foram instituídas duas sessões avaliativas: uma sessão de aprendizagem e uma sessão de teste, ambas separadas por um período de 12 horas que incluía dormir. Sendo assim, os investigadores foram capazes de perceber se na sessão seguinte as crianças tinham consolidado o que tinham aprendido ou se tinham esquecido a aprendizagem.
 
A equipa observou que as crianças com distúrbios respiratórios do sono apresentavam uma memória declarativa inferior nas fases de aprendizagem e de memória, o que sugere que o sono pode ter impacto na maneira como as crianças aprendem de forma consciente, mas também exercer um impacto negativo na retenção da aprendizagem.
 
A aprendizagem de novas competências e sequências através da memória não-declarativa não demonstrou ter sido afetada em ambas as sessões por distúrbios respiratórios do sono.
 
Este estudo foi o primeiro a medir o impacto dos distúrbios respiratórios do sono em ambos os processos de memória (a declarativa e não-declarativa).
 
Face aos resultados, Dezso Nemeth, autor principal deste estudo conclui que os mesmos “demonstram que os distúrbios do sono exercem um impacto no cérebro em desenvolvimento e podem afetar a forma como as crianças aprendem. É essencial identificar e diagnosticar os problemas de sono numa fase inicial da infância e tratá-los devidamente para evitar isto. Os nossos resultados ajudaram-nos a identificar a memória declarativa como sendo o processo de memória que é mais afetado”. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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