Distúrbios respiratórios do sono associados com problemas comportamentais

Estudo publicado no “Pediatrics”

07 março 2012
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As crianças com distúrbios respiratórios do sono estão mais propensas a desenvolver problemas comportamentais, como hiperatividade e agressividade, assim como sintomas emocionais e dificuldades em estabelecer relações com os seus pares, dá conta um estudo publicado na revista “Pediatrics”.

 

Os distúrbios respiratórios do sono são geralmente um conjunto de dificuldades respiratórias que ocorrem durante o sono, sendo nomeadamente caracterizados por roncos e apneias do sono. Estes distúrbios do sono, causados habitualmente pelo aumento das amígdalas ou das adenóides, atingem normalmente as crianças entre os dois e os seis anos, mas também podem ocorrer mais cedo. Cerca de uma em cada 10 crianças ressona regularmente e duas em cada quatro têm apneias de sono, de acordo com American Academy of Otolaryngology.

 

Neste estudo, os investigadores da Yeshiva University, nos EUA, contaram com a participação de 11.000 crianças para analisar os efeitos combinados da apneia, do ressonar e da respiração bucal nos comportamentos das crianças.

 

Os pais foram convidados a preencher questionários sobre os sintomas dos distúrbios respiratórios do sono dos seus filhos, quando estes tinham entre seis e 69 meses de idade. O comportamento das crianças foi também avaliado, entre os quatro e os sete anos, através do preenchimento de um questionário denominado por Strengths and Difficulties Questionnaire (SDQ) o qual inclui escalas de avaliação da hiperatividade, sintomas emocionais (ansiedade e depressão), problemas com os pares, problemas de conduta (agressividade) e comportamento pró-social (partilha e ajuda).

 

O estudo revelou que as crianças com distúrbios respiratórios do sono tinham um risco 40 a 100% maior de desenvolver problemas neurocomportamentais, especialmente hiperatividade, aos sete anos de idade.

 

As crianças que apresentaram os sintomas mais cedo, entre os seis e 18 meses, tinham um risco 40 e 50% maior, respetivamente, de apresentaram problemas comportamentais aos sete anos de idade, em comparação com as crianças do grupo de controlo. As crianças que apresentaram os problemas mais graves de comportamento foram aquelas cujos sintomas dos distúrbios respiratórios do sono persistiram durante o período de acompanhamento e se tornaram mais severos aos 30 meses.

 

Os investigadores, liderados por Karen Bonuck, acreditam que os distúrbios respiratórios do sono podem causar problemas comportamentais, afetando o cérebro de várias maneiras: diminuindo os níveis de oxigénio e aumentando os níveis de dióxido de carbono no córtex pré-frontal; interrupção do sono; interrupção do equilíbrio de vários sistemas celulares e químicos. Os problemas comportamentais resultantes destes efeitos adversos no cérebro incluem problemas na função executiva (dificuldades em prestar atenção, planear e organizar), capacidade de suprimir o comportamento e autocontrolo das emoções e excitação.

 

Assim, de acordo com estes resultados, a líder do estudo aconselha que os pais e os pediatras prestem mais atenção aos sintomas dos distúrbios respiratórios do sono, logo desde o primeiro ano de vida.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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