Distúrbios do ouvido interno poderão causar hiperatividade

Estudo publicado na “Science”

10 setembro 2013
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Os distúrbios no ouvido interno podem causar alterações neurológicas que aumentam a hiperatividade, sugere um estudo publicado na “Science”.

 

Durante anos os investigadores constataram que muitas crianças e adolescentes com distúrbios no ouvido interno, particularmente com doenças que afetavam tanto a audição como o equilíbrio, também apresentavam problemas de comportamento, como a hiperatividade. Contudo, até à data ninguém foi capaz de determinar se as doenças do ouvido e os problemas de comportamento estavam de facto interligados.

 

O ouvido interno consiste em duas estruturas: a cóclea responsável pela audição, e o sistema vestibular que está envolvido no equilíbrio. As doenças do ouvido interno são tipicamente causados por defeitos genéticos, mas também podem ser causados por infeções ou danos.

 

A ideia de aprofundar a possível associação entre estas duas condições tão distintas surgiu quando os investigadores da Universidade de Yeshiva, nos EUA, observaram que alguns dos ratinhos eram anormalmente ativos. Estudos posteriores revelaram que estes animais apresentavam defeitos cocleares e vestibulares severos e eram profundamente surdos. Os investigadores perceberam assim que este era um bom modelo para estudar a associação entre as disfunções do ouvido interno e o comportamento.

 

O estudo apurou que os problemas no ouvido interno eram devidos a uma mutação num gene denominado por Slc12a2, que medeia o transporte de sódio, potássio e cloro para vários tecidos, incluindo o ouvido interno e o sistema nervoso central. Este gene está também presente nos humanos.

 

Os investigadores constataram que em ratinhos saudáveis, a ausência do gene Slc12a2 conduzia a um aumento da atividade física. Foi assim colocada a hipótese de os defeitos no ouvido interno causarem alterações no funcionamento do estriado, uma área central do cérebro que controla o movimento. Experiências adicionais revelaram um aumento no nível de duas proteínas envolvidas em vias de sinalização que controlam a ação de neurotransmissores que, por sua vez, aumentam seletivamente a atividade locomotora dos animais.

 

De acordo com os investigadores, estes resultados sugerem que a hiperatividade nas crianças com problemas no ouvido interno pode ser controlável com medicamentos que diretamente ou indiretamente inibam a via de sinalização destes neurotransmissores no estriado.

 

“O nosso estudo também levanta a possibilidade de haver outros distúrbios sensoriais, que não estão associados com o ouvido interno, que poderão causar ou contribuir para o aparecimento de doenças psiquiátricas ou motoras as quais são atualmente e exclusivamente associadas ao cérebro”, concluíram os investigadores.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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