Distúrbios de personalidade: no extremo da variabilidade normal

Estudo publicado na revista “Social Cognitive and Affective Neuroscience”

30 julho 2015
  |  Partilhar:

Investigadores suecos identificaram uma área cerebral envolvida na capacidade de regular as emoções, a qual pode estar afetada tanto nos indivíduos com distúrbios de personalidade como nas pessoas saudáveis, dá conta um estudo publicado na revista “Social Cognitive and Affective Neuroscience”.
 

Os indivíduos com distúrbios de personalidade podem sentir dificuldade em funcionar em sociedade devido a problemas em regular as emoções. Contudo, os indivíduos saudáveis também diferem na frequência com que ficam irritados, zangados ou tristes.
 

A variabilidade na frequência de certos sentimentos faz parte da personalidade e pode ser vista como um aspeto positivo. Contudo, algumas pessoas sentem dificuldade em regular as emoções tendo estas impacto no ambiente laboral, familiar e social. Estes indivíduos podem ser diagnosticados com instabilidade emocional, como o distúrbio de personalidade borderline ou de personalidade antissocial.
 

Estudos anteriores demonstraram que as pessoas diagnosticadas com distúrbios de instabilidade emocional apresentavam uma diminuição no volume de determinadas áreas do cérebro. Neste estudo os investigadores do Instituto Karolinska, Suécia, decidiram avaliar se estas áreas estavam também associadas à variabilidade com que os indivíduos saudáveis eram capazes de regular as emoções.
 

O estudo contou com a participação de 87 indivíduos saudáveis que foram convidados a preencher um questionário clínico e informar até que ponto sentiam dificuldade em regular as emoções na sua via quotidiana. Posteriormente os participantes foram submetidos a ressonâncias magnéticas.
 

Os investigadores descobriram que uma área no lobo frontal inferior, o chamado córtex orbitofrontal, era menos volumosa nos indivíduos saudáveis que tinham problemas em regular emoções. Quanto maiores eram os problemas, menor o volume detetado. Por outro lado, sabe-se que os indivíduos com distúrbio de personalidade borderline ou distúrbio de personalidade antissocial apresentam também um menor volume desta área cerebral. Foram encontrados achados semelhantes noutras áreas do cérebro conhecidas por serem importantes para a regulação das emoções.
 

De acordo com os investigadores, estes resultados apoiam a ideia de que há uma linha contínua na capacidade de regular as emoções e se alguém está no extremo desse espectro é provável que tenha problemas em funcionar em sociedade e que seja diagnosticado com uma doença psiquiátrica.

 

"De acordo com esta ideia, este tipo de doenças não deveriam ser vistas como categóricas, como tendo ou não a doença. Deveria ser vista como uma variante extrema na variabilidade normal da população”, conclui o primeiro autor do estudo, Predrag Petrovic.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.