Distúrbios alimentares não têm cultura

Anorexia e bulimia parecem não ser problemas só do mundo ocidental

20 setembro 2001
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Embora se pense que os distúrbios alimentares, como a anorexia e bulimia, sejam problemas da cultura ocidental, com os rígidos padrões da moda a moldarem as mentalidades, um estudo recente vem contrariar esta teoria.
 

 

A investigação comparou as preocupações alimentares de mulheres norte-americanas e iranianas e chegou a conclusões surpreendentes.
 

 

O estudo com 104 estudantes universitárias mostrou que, na verdade, aquelas que vivem em Teerão, capital do Irão, estavam mais preocupadas com seu peso do que as descendentes de iranianos que moravam em Los Angeles.
 

 

Em média, as iranianas que habitavam em Teerão queriam perder quatro quilos, enquanto as de Los Angeles queriam emagrecer 2,5 quilos, de acordo com o estudo publicado na última edição do «International Journal of Eating Disorders».
 

 

Para Traci Mann e Panteha Abdollahi, da Universidade da Califórnia, «nem a exposição à cultura ocidental nem a aculturação às normais ocidentais parecerem estar relacionadas aos sintomas de distúrbios alimentares e preocupações com a imagem corporal».
 

 

Anorexia em Curação
 

 

Até ao momento, acreditava-se que os distúrbios alimentares, como a anorexia e bulimia, estavam em parte relacionados com o ideal ocidental de beleza feminina que, durante as últimas décadas, tem vindo a explorar a imagem mediática da extrema magreza.
 

 

Estas descobertas confirmam, no entanto, os resultados de um estudo anterior em que as mulheres de uma ilha das Caraíbas, Curaçao, apresentaram uma taxa de anorexia comparável àquelas de outros países ocidentais.
 

 

Neste novo estudo, as moradoras de Los Angeles viviam nos EUA há cerca de 15 anos. Apesar da diferença entre culturas e modos de vida, os resultados do estudo não apresentaram diferenças significativas entre as mulheres do Irão e as dos EUA. Apenas uma diferença: as de Teerão tenderam a pesar mais e a desejar perder mais peso.
 

 

As descobertas foram surpreendentes, mas os investigadores também sugerem algumas possíveis explicações. Uma delas é que o Irão era um país «altamente ocidentalizado» antes da revolução islâmica de 1978 e que algumas das influências ocidentais podem ter permanecido. Por outro lado, pode haver outras influências culturais na sociedade iraniana que influenciam o imagem corporal das mulheres, indicou o estudo.
 

 

Paula Pedro Martins
 

 

MNI - Médicos Na Internet
 

 

Fonte: Yahoo
 

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