Distúrbios alimentares e o papel das hormonas ováricas

Estudo publicado na revista “Psychological Medicine”

20 julho 2015
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As hormonas ováricas estão envolvidas no desenvolvimento de distúrbios alimentares, sugere um estudo publicado no “Psychological Medicine”.
 

Estudos anteriores realizados pelos mesmos investigadores da Universidade do Estado de Michigan, nos EUA, foram os primeiros a analisar mudanças no risco de distúrbios alimentares ao longo do ciclo menstrual. “Descobrimos que as alterações nas hormonas ováricas ditavam aumentos na compulsão alimentar e na fome por resposta emocional ao longo do ciclo menstrual, o que pode ser muito problemático para as mulheres, uma vez que o ciclo menstrual ocorre todos os meses”, referiu, em comunicado de imprensa, a primeira autora do estudo, Kelly Klump.
 

Neste estudo, os investigadores conseguiram perceber como e por que razão este fenómeno ocorre. Tal como o maestro de uma sinfonia, as hormonas produzidas pelos ovários atuam sobre os genes no cérebro e no corpo para despoletar alterações físicas no organismo. Pela primeira vez, os investigadores demonstraram que estas hormonas podem alterar genes que desencadeiam sintomas psicológicos em mulheres, como a fome por resposta emocional.
 

O estudo apurou que não só as taxas de fome por resposta emocional se alteram ao longo do ciclo menstrual, mas que também o grau em que os genes influenciam os padrões alimentares é alterado. Este aumento nos efeitos genéticos foi notável, considerando que ocorre ao longo de dias e não em meses ou anos.
 

Após terem acompanhado a mesma amostra de mulheres ao longo do ciclo menstrual, os investigadores constataram que a influência dos genes no comportamento compulsivo alimentar era quatro vezes mais elevado nas fases de maior risco do ciclo menstrual, comparativamente com as fases de menor risco.
 

Os investigadores descobriram então que as hormonas produzidas pelos ovários têm impacto no risco genético associado ao desenvolvimento de doenças psiquiátricas nas mulheres. Com base nesta informação, os médicos podem identificar dias específicos no ciclo da paciente onde este tipo de comportamentos é mais frequente, permitindo assim oferecer um tratamento mais direcionado.
 

O mesmo tipo de efeitos genéticos podem também estar presentes noutras doenças que ocorrem com mais frequência nas mulheres, como a depressão e ansiedade. “Esta pode ser a ponta do iceberg no que respeita ao papel deste tipo de hormonas no risco genético para as doenças mentais”, conclui a investigadora.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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