Distúrbios alimentares: descobertos dois genes associados

Estudo publicado no “Journal of Clinical Investigation”

11 outubro 2013
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Investigadores americanos identificaram duas mutações genéticas associadas ao desenvolvimento de distúrbios alimentares, como a anorexia e a bulimia, dá conta um estudo publicado no “Journal of Clinical Investigation”.
 

O estudo levado a cabo pelos investigadores das Universidades de Iowa e Texas, nos EUA, demonstrou que estes dois genes interagem com a mesma via de sinalização no cérebro, e que as mutações produzem o mesmo efeito. Estes resultados sugerem que esta via pode funcionar como um novo alvo para o conhecimento e tratamento deste tipo de distúrbios.
 

Neste estudo os investigadores contaram com a participação duas famílias severamente afectadas por distúrbios alimentares: 20 membros de três gerações de uma família (10 indivíduos afetados e 10 não afetados) e oito membros de uma segunda família (seis afetados e dois não afetados).
 

Os investigadores constataram que o risco de desenvolvimento de distúrbios alimentares estava associado a mutações na proteína ESRRA e na HDAC4, na primeira e segunda família, respetivamente. Foi também verificado que estas duas proteínas mutadas interagem uma com a outra, ou seja, a HDAC4 associa-se à ESRRA e inibi-a.
 

A probabilidade de dois genes descobertos de forma aleatória interagirem é muito baixa. “O facto de a mutação na HDAC4 aumentar a atividade genética e aumentar a sua capacidade de reprimir a ESRRA, descoberta na outra família, foi pura coincidência”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Michael Lutter.
 

O estudo refere que estes dois genes já tinham sido envolvidos nas vias metabólicas do músculo e do tecido adiposo, sendo também regulados pela prática de exercício.
 

No cérebro, a HDAC4 é muito importante para a regulação de genes que formam ligações entre os neurónios. Contudo, não existe quase nenhuma informação sobre o papel do ESRRA no cérebro, apesar de ser expressa em muitas regiões afetadas pela anorexia.
 

Os investigadores estão a planear estudar o papel destes genes em ratinhos e em células nervosas para perceber qual é o seu exato papel no cérebro. Adicionalmente estão também a encontrar formas de modificar a atividade dos genes, na esperança de encontrar moléculas que poderão ser transformadas em terapias para os distúrbios alimentares.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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