Distúrbio do processamento sensorial: uma doença negligenciada

Estudo publicado na revista “NeuroImage:Clinical”

12 julho 2013
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As crianças com distúrbio do processamento sensorial, uma doença que tem, até à data, recebido pouca atenção, apresentam diferenças quantificáveis na estrutura cerebral. O estudo publicado na revista “NeuroImage:Clinical” foi o primeiro a demonstrar as bases biológicas desta doença.
 

Uma das razões pela qual o distúrbio do processamento sensorial tem sido, até à data, negligenciado é pelo facto de este afetar muitas vezes as crianças com autismo ou com transtorno do deficit de atenção com hiperatividade e também pelo facto de ainda não ter sido listado no manual estatístico e de diagnóstico utilizado pelos psiquiatras e psicólogos.
 

O estudo refere que este distúrbio afeta 5 a 16% das crianças em idade escolar. Estas crianças apresentam dificuldades em processar os estímulos, o que pode causar vários sintomas incluindo hipersensibilidade ao som, visão e tato, más capacidades motoras finas e fácil distração. Algumas não são capazes de tolerar o som de um vácuo, outras não conseguem segurar um lápis ou têm dificuldades ao nível da interação social. Adicionalmente, um som que um dia é irritante pode no dia seguinte não o ser. A doença pode ser desconcertante para os pais e tem sido fonte de muita controvérsia para os médicos.
 

"A maioria das pessoas não sabe como apoiar essas crianças, porque eles não se enquadram num grupo clínico tradicional”, revelou, em comunicado de imprensa, a líder do estudo, Elysa Marco.
 

Neste estudo, os investigadores da Universidade de São francisco, nos EUA, contaram com a participação de 16 rapazes que sofriam deste distúrbio, mas não tinham sido diagnosticados com autismo, e 24 rapazes saudáveis. Os participantes, que tinham entre oito a 11 anos, foram submetidos a um teste de medição do comportamento sensorial.
 

Através da realização de um tipo avançado de ressonância magnética, foi verificado que os rapazes com distúrbio do processamento sensorial tinham a matéria branca afetada em áreas do cérebro que funcionam como ligação do sistema auditivo, visão e tátil. De acordo com os investigadores, os resultados obtidos indicam que este distúrbio é neuroanatomicamente distinto das doenças do espetro do autismo e do transtorno do deficit de atenção com hiperatividade
 

Os autores do estudo explicam que as alterações observadas na microestrutura da matéria branca afetam o tempo da transmissão sensorial, o que dificulta ou impossibilita o processamento dos estímulos sensoriais e a integração da informação.
 

"Estamos apenas no início, pois as pessoas não acreditavam que esta doença existia. Estes resultados mostram que esta é uma doença cerebral e fornece-nos meios para avaliá-la clinicamente”, conclui, a investigadora.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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Fobias

Meu filho de cinco anos tem uma aversão terrível ao chuveiro, se queixa falando q não suporta os pingos da água nos olhos. O banho é bem complicado pra dar nele, como posso ajudar pra que ele perca esse pavor, estou desesperada, até inventei de colocar óculos da natação pra ajudar um pouco, mas não adiantou muito. O q faço?

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