Distúrbio do déficit de atenção: técnica imagiológica poderá ajudar no diagnóstico

Estudo apresentado na Sociedade de Norte-americana de Radiologia

04 dezembro 2013
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Os níveis de ferro presentes no cérebro dos indivíduos com distúrbio do déficit de atenção podem ser medidos de forma não invasiva através de uma ressonância magnética, defende um estudo apresentado no congresso anual da sociedade norte-americana de radiologia. De acordo com os investigadores, este método poderá ajudar os médicos e pais a tomarem decisões mais informadas sobre a medicação.
 

O distúrbio do déficit de atenção é uma doença comum nas crianças e adolescentes que se pode prolongar até à idade adulta. Os sintomas incluem hiperatividade e dificuldade em se manter focado, prestar atenção e controlar o comportamento. Os psicoestimulantes são os fármacos habitualmente utilizados para a redução dos sintomas deste distúrbio. Estes medicamentos afetam os níveis de dopamina, um neurotransmissor que está associado com a adição.
 

“Estudos anteriores demonstraram que os psicoestimulantes aumentam os níveis de dopamina e ajudam as crianças que se suspeitam ter níveis de dopamina baixos. Como o ferro é necessário para a síntese de dopamina, a avaliação dos níveis de ferro através da ressonância magnética pode fornecer uma forma não invasiva e indireta de medição dos níveis de dopamina”, revelou, em comunicado de imprensa, uma das autoras do estudo, Vitria Adisetiyo.
 

De forma a explorar esta possibilidade, os investigadores da Universidade da Carolina do Sul, nos EUA, mediram os níveis de ferro no cérebro de 22 crianças e adolescentes com distúrbio do déficit de atenção e em 27 participantes controlo, através de uma técnica de ressonância magnética denominada por correlação de campo magnético  (MFC, sigla em inglês). Esta é uma técnica relativamente nova introduzida pelos coautores do estudo em 2006.
 

O estudo apurou que 12 dos pacientes com distúrbio do déficit de atenção, que nunca tinham recebido tratamento medicamentoso, apresentaram um MFC significativamente menor comparativamente com os 10 pacientes com o mesmo distúrbio mas que recebiam medicação psicoestimulante ou os 27 participantes incluídos no grupo de controlo. Contudo, não foram observadas diferenças significativas através de medições realizadas, nomeadamente no soro.
 

A capacidade da MFC em detetar, de uma forma não invasiva, os níveis baixos de ferro pode ajudar a melhorar o diagnóstico do distúrbio do déficit de atenção, bem como o seu tratamento. De acordo com a investigadora, os métodos não invasivos são particularmente importantes na população pediátrica. “Este método permite a exploração de biomarcadores inerentes ao organismo e uma medição indireta dos níveis de dopamina, sem necessidade de um agente de contraste”, acrescentou Vitria Adisetiyo.
 

Na opinião dos investigadores, caso estes resultados se venham a confirmar, em estudos de maiores dimensões, esta técnica poderá ter um papel importante da determinação dos pacientes que podem beneficiar dos psicoestimulantes. Adicionalmente, no caso em que o psiquiatra está inseguro sobre o diagnóstico, o paciente pode ser submetido a um exame imagiológico, durante 15 minutos, para confirmar os seus níveis cerebrais de ferro.  
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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