Distúrbio de ingestão alimentar compulsivo pode ser curado com “mindfulness”?

Declarações do presidente da Associação Portuguesa para o Mindfulness

04 março 2016
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As mulheres que sofrem de perturbações do distúrbio de ingestão alimentar compulsivo e que foram submetidas a um programa baseado na mindfulness conseguiram, em dez sessões, deixar de comer compulsivamente.
 

O presidente da Associação Portuguesa para o Mindfulness, José Pinto-Gouveia, revelou à agência Lusa que os resultados recentes de um programa de dez sessões, realizado a mulheres com distúrbios de ingestão alimentar, foram “entusiasmantes” e que todas deixaram de comer compulsivamente.
 

Por exemplo, pessoas que comiam bolachas todas as noites, depois das sessões deixaram de as comer compulsivamente.
 

Ao longo das sessões foram trabalhados os princípios de educação alimentar, designadamente fazer cinco refeições por dia e não saltar refeições, mas o foco incidiu em lidar com as emoções negativas.
 

Ter emoções negativas não significa que nos temos de empanturrar, referiu José Pinto Gouvieia, explicando que há outras formas de lidar com o negativismo, não fazendo “tudo o que vem à cabeça”.
 

“A maioria destas doentes com perturbação alimentar e ingestão compulsiva são muito críticas, são muito boas a criticar-se quando falam, mas são muito más a cuidar de si. Elas não têm a noção do que é cuidar de si, nunca se perguntam o que é que eu preciso. Não respeitam as suas necessidades pessoais”, conta o presidente da Associação Portuguesa de Mindfulness.
 

José Pinto Gouveia reconhece que é fulcral ensinar as pessoas a mudar o tom interior. “Há um tom interior com que falamos connosco e esse tom, habitualmente em pessoas com problemas psicológicos, é um tom crítico e frio e as pessoas não percebem que esse tom influencia enormemente a sua vida psicológica e o seu bem-estar”, explica, afirmando que as pessoas podem deixar de se autocriticar e podem ser mais compassivas, porque se tornam “muito mais eficazes quando são autocompassivas, do que quando se criticam”.
 

O mindfulness “é a arte de prestar atenção à nossa experiência, momento a momento e não ajuizar sobre ela, ou seja se estou triste, estou triste, não ajuízo que é mau estar triste ou que não devo estar triste e percebo que a minha tristeza tem a ver com alguma coisa que me aconteceu”, explicou o especialista.
 

“As emoções más fazem parte da nossa vida e portanto temos de estar com elas, em vez de ir logo empanturrar ou ir beber um copo, o melhor caminho é aceitar que estamos tristes, porque aconteceu alguma coisa na nossa vida, mas amanhã vão acontecer outras coisas e, se calhar, já não vamos estar tristes”, concluiu.
 

A pessoa que pratica mindfulness vai mudando, mas não nota essa mudança, são normalmente os amigos que notam que as pessoas vão ficando menos reativas, mais aceitantes, começando a lidar melhor com a dor.
 

“O mindfulness promove a descentração em relação aos pensamentos negativos, promove a aceitação e o ‘antievitamento’. (…) Oferece-nos a possibilidade única de aprendermos a controlar a nossa mente em vez de sermos controlados por ela” e de agir em consciência e “não em piloto automático distraidamente”, concluiu.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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