Distrofia muscular de Duchenne: fármacos utilizados na disfunção erétil poderão ajudar

Estudo publicado na revista “Neurology”

12 maio 2014
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Alguns dos fármacos prescritos no âmbito da disfunção eréctil, podem ajudar a tratar a distrofia muscular de Duchenne, uma doença que atinge maioritariamente os rapazes, que causa fraqueza muscular severa e reduz drasticamente a esperança de vida, refere um estudo publicado na revista “Neurology”.
 

A distrofia muscular de Duchenne resulta de um defeito genético que elimina uma proteína, a distrofina, na membrana das células dos músculos. A fraqueza muscular começa na infância, muitas vezes causando deformidade nos braços, pernas e coluna vertebral. Os músculos do coração e respiratórios, começam muitas vezes a falhar antes de as crianças atingirem a adolescência.
 

Apesar de os esteróides e outras terapias aliviarem os sintomas e retardarem os efeitos mais graves, não existe nenhum tratamento específico para a doença, e os pacientes raramente sobrevivem para além dos 30 anos.
 

Em 2000, os investigadores do Instituto do Coração Cedars-Sinai, nos EUA, já tinham descoberto que o fluxo sanguíneo anormal presente nos músculos das crianças com distrofia muscular de Duchenne era causado pela perda de óxido nítrico, um sinalizador químico envolvido no relaxamento dos vasos sanguíneos durante o exercício, aumentando assim o fluxo sanguíneoe a oxigenação.  
 

Agora neste estudo os investigadores decidiram averiguar se dois dos fármacos utilizados no tratamento da disfunção eréctil e hipertensão pulmonar poderiam ajudar no tratamento da distrofia muscular de Duchenne. O estudo incluiu a participação de 10 rapazes com esta condição, com idades compreendidas entre os 8 e 13 anos e que estavam a tomar corticosteroides.
 

O fluxo sanguíneo dos músculos foi avaliado à medida que estes realizavam um exercício de força de preensão manual, bem como quando eles permaneciam em descanso. O fluxo sanguíneo foi depois comparado com o fluxo sanguíneo de 10 rapazes saudáveis, da mesma faixa etária.
 

Os dois fármacos, o sildenafil ou o tadalafil, foram administrados aos pacientes, com duas semanas de intervalo. Os investigadores verificaram que a toma de qualquer um destes fármacos fez com que o fluxo sanguíneo dos rapazes com distrofia muscular de Duchenne ficasse igual à dos participantes saudáveis. Os autores do estudo referem que os efeitos da administração dos fármacos foram imediatos e mais pronunciados quando os fármacos foram administrados em doses mais elevadas.
 

O líder do estudo, Ronald G. Victor, refere que apesar de serem necessários mais estudos antes de estes fármacos serem recomendados para os indivíduos com distrofia muscular de Duchenne, este são muito encorajadores. “Esta não é uma cura, mas é o primeiro passo na identificação de potenciais tratamentos”, conclui o investigador.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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