Disseminação do cancro aumentada pela fusão com células imunológicas

Estudo apresentado reunião Anual da Sociedade Americana de Biologia Celular

18 dezembro 2013
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As células cancerígenas que se fundem espontaneamente com um tipo de células do sistema imunológico, os macrófagos, desempenham um papel importante na disseminação do cancro para outras áreas do organismo, defende um estudo apresentado na reunião anual da Sociedade Americana de Biologia Celular.
 

Em 1911, o patologista alemão Otto Aichel já tinha sugerido que uma célula cancerígena que está a ser alvo de ataque dos leucócitos poderia se fundir espontaneamente com essas células para produzir uma célula híbrida com anomalias cromossómicas que poderiam conduzir ao cancro.
 

Apesar de esta hipótese ter sido na altura posta de parte, os recentes achados sobre o papel da fusão celular na homeostasia e na regeneração dos tecidos têm reavivado esta teoria. Atualmente há fortes indícios que apoiam a fusão entre as células tumorais e as saudáveis, no cancro humano. Contudo, ainda não está perfeitamente clarificado se a fusão celular fornece às células cancerígenas uma vantagem seletiva que aumenta a progressão do cancro.
 

Neste estudo, os investigadores da Universidade de Saúde e Ciência de Oregon, nos EUA, começaram por confirmar que as células provenientes de vários tipos de cancro conseguem de facto se fundir facilmente e de forma espontânea com os macrófagos. Os investigadores também constataram que comparativamente com as células cancerígenas que não se fundem, as que o fazem apresentam uma força de adesão aumentada, formam tumores mais rapidamente e proliferam em condições que inibem fortemente o crescimento das outras células cancerígenas.
 

“Os nossos achados demonstraram que a fusão espontânea das células cancerígenas com os macrófagos pode ter um grande e significativo impacto no fenótipo das células tumorais, tendo implicações no conhecimento da biologia das células cancerígenas e no processo de evolução dos tumores”, revelaram, em comunicado de imprensa, os investigadores.
 

O estudo refere que, à medida que o cancro progride, as células tumorais adquirem novas capacidades ou fenótipos. Estas crescem de forma descontrolada, abandonando o local d e origem e tornando-se resistente aos fármacos anti-cancerígenos.
 

Estudos anteriores tinham revelado que a progressão do cancro era determinada por alterações no genoma do cancro, influências do microambiente e interação com o sistema imunológico. O que este estudo agora aponta é que a fusão das células cancerígenas com os macrófagos é um novo potenciador da progressão do cancro.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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