Dispositivos médicos e os riscos de reutilização por motivos económicos

Alerta da presidente da Associação de Enfermeiros de Salas de Operações

21 junho 2012
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A presidente da Associação de Enfermeiros de Salas de Operações (AESO) alertou para os perigos da reutilização de dispositivos médicos de uso único e mostrando-se preocupada com decisões que possam ser tomadas com base em medidas economicistas.

 

“Eu espero, esperamos todos, a bem do doente e dos profissionais, que não se estejam a reprocessar dispositivos médicos de uso único, porque não há garantia de assegurar ao doente que estamos perante um dispositivo novo”, revelou à agência Lusa a enfermeira Mercedes Bilbao.
A enfermeira esclareceu que atualmente não há informações sobre o reprocessamento indevido destes dispositivos em Portugal.“ É precisamente para evitar que isso venha a acontecer que estamos agora a lançar este debate”, adiantou.

 

Alguns dispositivos médicos – como os utilizados no sector do ritmo cardíaco (pacemakers e cardiodesfibrilhadores), da urologia ou cirurgia laparoscópica – têm determinadas características e complexidades que não permitem o seu reprocessamento.
Há alguns meses, o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) denunciou a reutilização de alguns destes dispositivos, tendo prometido uma investigação sobre o caso.

 

A presidente da AESO recorda que, “no âmbito da crise e do reaproveitamento dos recursos existentes, começou-se a falar da possibilidade de reprocessar alguns dispositivos médicos para uma economia de recursos”.

 

“Essa discussão começou agora a surgir no âmbito da crise e estamos preocupados, como profissionais de saúde, que se tomem decisões só com base em medidas economicistas. Estamos preocupados porque [a reutilização de dispositivos médicos de uso único] representa um perigo para a população e os seus utilizadores”, acrescentou.

 

O secretário-geral da Associação Portuguesa de Empresas de Dispositivos Médicos (APEDM), Humberto Costa, revelou à agência Lusa que esta organização não se opõe a que estes dispositivos sejam reutilizados, mas “desde que, depois de reprocessados, surjam no mercado com as mesmas garantias que têm quando são colocados pela primeira vez”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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