Dispositivo prevê convulsões epiléticas

Estudo publicado na revista “Lancet Neurology”

06 maio 2013
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Investigadores australianos desenvolveram, conjuntamente com investigadores da empresa NeuroVista, um pequeno dispositivo capaz de prever a ocorrência de convulsões epiléticas, dá conta um estudo publicado na revista “Lancet Neurology”.
 

A epilepsia é a segunda doença neurológica mais comum, afetando cerca de 60 milhões de pessoas em todo o mundo. Mais de 40% dos indivíduos não são capazes de controlar as suas convulsões com os atuais tratamentos.
 

Assim de acordo com o primeiro autor do estudo, Mark Cook, “saber quando uma convulsão irá ocorrer poderá melhorar bastante a qualidade de vida e a independência dos indivíduos com epilepsia”.
 

Neste estudo, os investigadores da University of Melbourne, na Austrália, desenvolveram, em parceria com uma empresa sedeada em Seattle, um dispositivo que quando implantado no cérebro é capaz de monitorizar a atividade elétrica cerebral. Foi também desenvolvido um segundo dispositivo, que é implantado no peito, que transmite a atividade cerebral medida pelos elétrodos implantados no cérebro e envia os dados para um aparelho portátil. O paciente sabe se tem um risco elevado de sofrer ataque epilético caso o parelho imita uma luz vermelha, moderado se a luz imitida for branca e azul no caso de o risco ser baixo.
 

Neste estudo, os investigadores contaram com a participação de 15 indivíduos com idades compreendidas entre os 20 e os 62 anos, os quais tinham entre duas a 12 convulsões mensais, não estando estes episódios controlados com a medicação que tomavam.
 

Durante o primeiro mês os elétrodos foram colocados nos pacientes de forma a desenvolverem apenas algoritmos de previsão dos ataques epiléticos para cada paciente. Após esta fase inicial, os investigadores verificaram que o dispositivo era capaz de prever o risco elevado de ataque epilético em 65% das ocasiões. Em oito dos 11 pacientes as convulsões foram previstas entre 56 a 100% das ocasiões.
 

"Um a dois por cento da população tem epilepsia crónica e até 10% das pessoas vão ter uma convulsão em algum momento da sua vida. Esta condição é muito debilitante, pois afeta predominantemente os jovens e frequentemente ao longo de toda a vida. O problema é que os indivíduos com epilepsia sentem-se bem a maior parte do tempo. Contudo, as suas atividades são inteiramente limitadas por esta condição, que apesar de afetar anualmente apenas alguns minutos das suas vidas, pode ter consequências catastróficas como quedas, queimaduras e afogamento”, revelou o investigador.

 

Mark Cook espera agora replicar os resultados num ensaio de maiores dimensões, acreditando que esta tecnologia irá melhorara as estratégias de controlo da epilepsia no futuro.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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