Dispositivo intra-uterino pode ser usado para tratar cancro do endométrio

Estudo publicado nos “Annals of Oncology”

05 outubro 2010
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Além de ser um meio contraceptivo, o dispositivo intra-uterino, denominado DIU, pode ser usado como tratamento para mulheres que estão nas fases iniciais do cancro do endométrio, refere um estudo publicado na revista “Annals of Oncology”.

 

Trata-se do primeiro ensaio clínico a testar o DIU como tratamento contra este tipo de cancro, o sexto mais comum entre as mulheres em todo o mundo.

 

O tratamento comummente utilizado é a histerectomia total com a remoção do útero e dos ovários, resultando na perda definitiva da fertilidade. A maioria das mulheres desenvolve cancro do endométrio após os 40 anos de idade, mas cerca de 3 a 5% dos casos ocorrem em mulheres mais jovens.

 

Neste estudo, investigadores do Instituto Europeu de Oncologia, em Milão, Itália, testaram o tratamento em mulheres com menos de 40 anos, entre 1996 e 2006. Usaram o DIU que liberta a hormona progesterona levonorgestrel, combinado com uma injecção mensal da hormona gonadotropina GnRH durante seis meses. Enquanto o levonorgestrel inibe o crescimento de uma das camadas do útero, a GnRH inibe a produção de estrogénio, uma hormona que promove o crescimento do cancro do endométrio.

 

Do grupo de pacientes, 20 sofriam de hiperplasia endometrial atípica- um precursor do cancro do endométrio e 14 estavam numa fase inicial do cancro do endométrio, presente apenas na camada interna do útero, o endométrio.

 

O tratamento foi eficaz e, em alguns casos, fez com que o cancro regredisse completamente. Após um ano de tratamento, 19 das pacientes (95%) com hiperplasia endometrial atípica não mostraram sinais da doença, mas 4 precisaram de ser tratadas novamente. Das 14 mulheres com cancro do endométrio, 8 (57%) apresentaram remissão completa em seis meses, no entanto 4 apresentaram progressão da doença.

 

As mulheres que responderam bem ao tratamento (ou seja, o cancro não voltou a aparecer, nem cresceu) foram autorizadas a remover o DIU um ano após o tratamento e puderam planear uma gravidez. Das 34 mulheres, 9 conseguiram engravidar, algumas mais de uma vez. Todas as participantes ainda estavam vivas no final do estudo, 10 anos depois.

 

Os investigadores vão avançar para novos estudos, com o objectivo de saberem por que é que o tratamento funciona melhor para algumas pessoas. Os cientistas sugerem também que os marcadores genéticos – ao apresentarem uma mutação genética específica do cancro - podem ser capazes de identificar quais os pacientes que responderão bem ao tratamento com o DIU.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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