Dispositivo deteta ataque epilético e doseia tratamento

Estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences”

29 agosto 2016
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Investigadores suecos e franceses desenvolveram um pequeno dispositivo que deteta o sinal inicial de um ataque epilético e doseia um neurotransmissor capaz de o parar, dá conta um estudo publicado no “Proceedings of the National Academy of Sciences”.
 

Segundo uma estimativa recente, não menos de seis por cento da população mundial sofre de algum tipo de doença neurológica, como epilepsia ou doença de Parkinson. Apesar de existirem alguns medicamentos disponíveis, quando estes são tomados, oralmente ou injetados na corrente sanguínea, acabam por atingir locais onde não são necessários, podendo causar problemas graves. Todos os medicamentos têm efeitos secundários e não há um tratamento satisfatório para as doenças neurológicas disponíveis.
 

Os neurónios são as células que transmitem e recebem impulsos nervosos. O dispositivo desenvolvido pelos investigadores da Universidade de Linköping, na Suécia, que tem apenas 20×20 μm, é capaz de captar os sinais e de os interromper na área exata onde surgem sem envolver qualquer outra parte do corpo.
 

Daniel Simon, um dos autores do estudo, refere que a tecnologia desenvolvida permite interagir com os neurónios saudáveis e doentes. “Podemos começar agora a investigar oportunidades para encontrar terapias para doenças neurológicas que aparecem tão rapidamente e tão localizadamente e que os pacientes nem notam”, referiu o investigador, em comunicado de imprensa.
 

O dispositivo, produzido a partir de um plástico condutor e biocompatível, consiste num sensor que deteta os sinais nervosos e uma pequena bomba de iões que doseia a quantidade exata do neurotransmissor GABA, uma substância que o próprio corpo utiliza para inibir os estímulos no sistema nervoso central.
 

O mesmo elétrodo que regista a atividade na célula pode também funcionar como transmissor. A sinalização nos sistemas biológicos é baseada nos sinais químicos em forma de catiões, que são transmitidos entre os transmissores e os recetores, que consistem em proteínas. Quando um sinal é transmitido a outra célula, a identificação do sinal e o desencadeamento de um novo ocorre numa distância muito curta, cerca de poucos nanómetros. Em determinados casos ocorre no mesmo local.
 

“É por isso que ser capaz de combinar a deteção eletrónica e transmissão no mesmo elétrodo é um grande avanço”, referiu, em comunicado de imprensa, um dos coautores do estudo, Magnus Berggren.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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