Dislexia infantil: o que ainda falta conhecer?

Estudo publicado na revista “The Lancet”

19 abril 2012
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Os tratamentos e o conhecimento científico sobre a dislexia têm progredido consideravelmente nestes últimos cinco anos, mas ainda são necessários mais estudos para compreender melhor a causa desta doença e melhorar a vida das crianças afetadas, dá conta um estudo publicado no “The Lancet”.

 

Habitualmente a dislexia não é diagnosticada até às crianças apresentarem graves dificuldades na escola, uma altura em que é mais difícil para elas dominarem novas capacidades.

 

“Os profissionais de saúde não devem esperar que as crianças sejam diagnosticadas formalmente com dislexia ou que fracassem repetidamente antes da implementação do tratamento, pois este é menos eficaz do que se a intervenção for mais precoce”, revelou em comunicado de imprensa, Robin Peterson e Bruce Pennington, da University of Denver, USA.

 

Aproximadamente 7% da população é dislexia e os rapazes têm o dobro do risco de sofrerem desta doença do que as raparigas. Os investigadores inicialmente pensavam que a dislexia envolvia problemas de processamento visual, mas há cada vez mais evidências que sugerem que este é um problema fonológico, que consiste na dificuldade de diferenciar os sons das palavras e associá-los às letras.

 

“Tal como todos os distúrbios de comportamento, a causa da dislexia é multifatorial e está associada com múltiplos genes e fatores de risco ambientais”, explicaram os autores do estudo. Apesar de recentemente já se terem identificado seis genes que contribuem para o desenvolvimento da doença, ainda pouco se sabe sobre o papel destes e de outros possíveis genes, ou ainda, que fatores ambientais podem estar envolvidos na dislexia.

 

Assim, são necessárias mais investigações para identificar que genes podem contribuir para a doença, para analisar os efeitos dos fatores de risco ambientais e identificar as localizações dos genes compartilhados ou não com outro tipo de distúrbios, como o déficit de atenção e hiperatividade.

 

“Ainda temos que aprender mais sobre a natureza deste déficit fonológico e como este problema interage com outros fatores de risco linguísticos e não linguísticos”, explicam Robin Peterson e Bruce Pennington.

 

Os investigadores acrescentam que as questões do tratamento precisam também de ser abordadas, "os estudos de imagem cerebral têm mostrado que uma intervenção eficaz parece promover a normalização da atividade na rede da leitura e da linguagem do hemisfério esquerdo".

 

Embora o diagnóstico da dislexia seja muitas vezes adiado até à idade escolar, o aparecimento de problemas como, o deficit de atenção e hiperatividade e dificuldades na linguagem, os quais podem ser evidentes muito antes, podem ajudar a prever o risco da criança desenvolver problemas posteriores de leitura, concluem os autores do estudo.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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