Disenteria pode ser tratada com fármaco para a artrite

Estudo publicado na revista “Nature Medicine”

23 maio 2012
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Um fármaco utilizado no tratamento da artrite é capaz de tratar eficazmente uma infeção provocada por um parasita causador da disenteria amebiana e de abcessos do fígado, a qual é responsável pela morte de 70.000 indivíduos por ano, em todo o mundo, dá conta um estudo publicado na “Nature Medicine”.

 

A Entamoeba histolytica é um parasita intestinal causador da amebíase humana, a quarta principal causa de morte por parasitas. Todos os anos milhões de pessoas são afetadas em todo o mundo, principalmente nos países em desenvolvimento, por esta infeção que causa sintomas que vão desde a diarreia à disenteria. Este tipo de infeção, que se dissemina através do consumo de água e alimentos contaminados, é atualmente tratada com o fármaco metronidazol que apresenta alguns efeitos adversos nomeadamente vómitos, náuseas, tonturas e dores de cabeça. Adicionalmente a comunidade científica também tem revelado preocupações crescentes quanto ao potencial risco de resistência a este fármaco.

 

Para o estudo, os investigadores da University of California, nos EUA começaram por testar fármacos já aprovados pela Food and Drug Administration (FDA), nos EUA, tendo constatado que a auranofina, um agente anti-reumático, era 10 mais eficaz a tratar a infeção por Entamoeba histolytica do que o atual tratamento.

 

Os investigadores, liderados por Sharon L. Reed, utilizaram um modelo animal para a colite amebiana e outro para o abcesso amebiano do fígado e verificaram que o tratamento com auranofina reduzia drasticamente o número de parasitas, a inflamação e o tamanho dos abcessos. Foi também constatado que este fármaco tinha por alvo uma enzima que protegia o parasita do ataque das espécies reativas de oxigénio, ficando deste modo mais suscetível à sua ação.

 

“Como a auranofina já foi aprovada pela FDA nos humanos, poderemos poupar anos de experiências”, admitiu, em comunicado de imprensa Sharon L. Reed. Os investigadores chamam assim atenção para a importância de testar fármacos já previamente aprovados que podem servir novos propósitos.

 

Os investigadores concluem que a combinação de um fármaco já patenteado com décadas de ensaios clínicos poupados pode significar que em breve poderá estar disponível uma solução global de menor custo, com menos efeitos adversos ou risco de resistência bacteriana, do que a atual terapia.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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