Diminuição de doenças infeciosas e a menor adesão à vacinação

Estudo publicado na Ata Médica Portuguesa

08 junho 2012
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A diminuição de doenças infeciosas mortais, conseguida com a vacinação de grandes grupos populacionais, leva alguns pacientes e familiares a não se vacinarem por acharem esta medida inútil, decisão esta que necessita de ser evitada, dá conta um estudo publicado na Ata Médica Portuguesa.

 

O artigo “Efetividade Clínica e Análise Económica da Vacinação Preventiva”, realizado pelo diretor do Centro de Estudos de Medicina Baseada na Evidência (CEMBE), António Vaz Carneiro, refere que “a vacinação de massas constitui uma das mais eficazes medidas preventivas, jamais desenvolvida pela humanidade e tem um lugar especial nos chamados milagres da medicina”.

 

Este “milagre”, traduzido no “decréscimo de doenças infeciosas mortais no passado, irrompeu um fenómeno paradoxal, em que pacientes e familiares pensam que a vacinação é agora inútil e não se vacinam, com as consequências daí decorrentes”.

 

António Vaz Carneiro dá conta que para resolução deste problema “é fundamental a disponibilização de informação de alta qualidade sobre as vantagens da vacinação preventiva, que possa ser disseminada socialmente”.

 

“Importa melhorar e desenvolver os sistemas de vacinação de massas, com recurso a investigação de alta qualidade e estudos, incidindo nas patologias mais prevalentes, mais relevantes e mais consumidoras de recursos”, dá conta o estudo ao qual a agência Lusa teve acesso.

 

O autor aborda as questões éticas da vacinação de massas, a qual “tem gerado controvérsia ética e filosófica à volta da legitimidade do Estado e governos aplicarem, universalmente a todos os cidadãos, uma medida preventiva não isenta de riscos clínicos”.

 

“Quando se aborda a ética da vacinação, tem de se ter em conta que ela é diferente da ética do tratamento por três forças de razão: a vacinação é uma medida preventiva, o foco é na vacinação de massas (e não de indivíduos isolados) e a vacinação constitui uma intervenção indiscutivelmente eficaz para a redução do risco das doenças infecto-contagiosas”, refere o estudo.

 

De acordo com o estudo, “cerca de 99% das doenças prevenidas por vacinação desaparecerem dos países desenvolvidos”.

 

A imunização generalizada conseguida pela vacinação de massas “permitiu o desaparecimento da varíola (e dentro em breve - espera-se - da polio), sendo anualmente salvas a nível mundial mais de cinco milhões de vidas pela vacinação contra a poliomielite, tétano e sarampo”.

 

O autor concluiu que “a vacinação de massas com um conjunto de vacinas previamente selecionadas deve manter-se como está, sendo as únicas exceções justificadas por causas clínicas bem fundamentadas (por ex. imunodeficiências congénitas)”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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