Dificuldades na escola poderão estar a ser mal diagnosticadas

Estudo publicado na revista “Developmental Science”

03 outubro 2018
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Uma equipa de investigadores identificou grupos de dificuldades de aprendizagem em crianças que não foram de encontro aos diagnósticos que tinham recebido.
 
O achado resultou da aprendizagem de máquina, com dados de 550 crianças com dificuldades na escola, por investigadores da Unidade de Cognição e de Ciências do Cérebro do Conselho de Investigação médica na Universidade de Cambridge, Reino Unido.
 
As crianças tinham sido referenciadas para um centro de aprendizagem e memória devido às dificuldades sentidas na escola, sendo incluídos todos os tipos de dificuldades, independentemente do diagnóstico.
 
Os investigadores alimentaram o algoritmo computacional com dados de testes cognitivos feitos a cada criança, incluindo medições de competências resolução de problemas, escutar, raciocínio espacial, vocabulário e memória. 
 
Com base nos dados proporcionados, o algoritmo sugeriu que as crianças se melhor correspondiam a quatro grupos de aprendizagem. Estes grupos estavam estreitamente alinhados com outros dados sobre as crianças, como relatos de pais sobre dificuldades de comunicação e dados educacionais sobre a leitura e matemática. Contudo, não foi encontrada uma correspondência com os diagnósticos que as crianças tinham recebido.
 
Os grupos espelhavam padrões na conetividade com partes dos cérebros das crianças, o que sugere que a aprendizagem de máquina tinha identificados diferenças que parcialmente refletem as características da biologia. 
 
Dois dos quatro grupos consistiam em dificuldades com as competências da memória funcional e com o processamento de sons em palavras. As dificuldades com a primeira competência estão associadas a problemas na matemática e tarefas como seguir uma lista, e com a segunda estão relacionadas com problemas de leitura. 
 
“Estudos anteriores que tinham selecionado crianças com competências medíocres de leitura demonstraram uma estreita ligação entre ter dificuldades de leitura e problemas com o processamento de sons em palavras. Mas, ao analisar crianças com um leque alargado de dificuldades, descobrimos inesperadamente que muitas crianças com dificuldades de processarem sons em palavras não têm apenas problemas a ler – têm também problemas com a matemática”, disse Duncan Astle, investigador que liderou o estudo. 
 
Os outros dois grupos identificados foram de crianças com amplas dificuldades cognitivas em muitas áreas e crianças com resultados típicos para a sua idade em testes cognitivos. Os investigadores admitem que as crianças neste último grupo poderão apresentar, contudo, outras dificuldades que estarão a afetar o desempenho escolar, como dificuldades comportamentais que não foram incluídas na aprendizagem de máquina.
 
A equipa conclui que é necessário evoluir para além da atribuição de etiquetas de diagnósticos e procurar melhores intervenções que apurem as dificuldades cognitivas individuais de cada criança. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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