Diferenças no uso da medicação em brancos e negros norte-americanos

Estudo publicado no “Journal of General Internal Medicine”

22 dezembro 2009
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Um estudo norte-americano avaliou as disparidades raciais no uso de medicação em idosos e verificou que existe uma maior taxa de não-adesão aos tratamentos medicamentosos entre os indivíduos de raça negra. O trabalho foi publicado no “Journal of General Internal Medicine”.

 

Os idosos são, naturalmente, mais propensos a registar doenças crónicas, visitar mais o médico e a usar múltiplos fármacos, o que os coloca num maior risco de desenvolverem problemas com a medicação, comprometendo o seu estado de saúde e a qualidade de vida.

 

Pela primeira vez, uma equipa de investigadores quis verificar a qualidade global do uso dos medicamentos nesta faixa etária. No total, foram avaliados 200 idosos (100 brancos e 100 negros) com mais 60 anos, recrutados de dois conjuntos habitacionais da Carolina do Norte, EUA. Todos foram entrevistados em casa, uma vez no início do estudo, após seis meses e um ano depois.

 

O estudo, financiado pelo National Institutes of Health e National Institute on Aging, avaliou a qualidade global do consumo da medicação e o efeito da raça nessa qualidade.

 

Os investigadores, liderados por Mary Roth, verificaram que, no total, os brancos usavam mais medicamentos do que os negros, tinham um maior número de doenças crónicas e consultavam mais o médico. Quase um terço dos negros (28%) não tinha capacidade financeira para comprar os seus medicamentos, em comparação com apenas 12% dos brancos. Foi também constatado que 58% dos brancos tinham maiores competências de literacia na área da saúde do que os negros (29%).

 

Cada participante teve, pelo menos, um problema relacionado com a medicação. Os problemas mais comuns, tanto nos brancos como nos negros, foram não receber o tratamento necessário (83% versus 87%), uso não optimizado dos fármacos (59% contra 66%), dosagem inadequada (48% contra 56%) e não-adesão (42% versus 68%). A diferença entre brancos e negros foi particularmente notável no item “não-adesão aos medicamentos” e registou-se uma pequena diferença, mas mesmo assim relevante, no item “monitorização inadequada da medicação”. Curiosamente, embora fossem prescritos menos medicamentos aos negros, eles relataram mais problemas com a medicação do que os brancos.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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