Diferenças entre gémeos humanos à nascença realçam importância do meio uterino

Estudo publicado no jornal científico “Genome Research”

31 julho 2012
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É sabido que os genes determinam largamente o que somos. No entanto, um estudo conduzido pelo Murdoch Childrens Research Institute (MCRI), na Austrália, revelou que o meio influencia fortemente os genes mesmo antes do nascimento, trazendo consequências que podem perdurar pela vida fora.
 

A marcação epigenética de genes através da metilação de ADN afeta a atividade genética, exercendo influência sobre o desenvolvimento normal, envelhecimento e também sobre certas doenças como a diabetes, doenças cardiovasculares e cancro. Estudos levados a cabo em animais revelaram que o meio molda o perfil epigenético em todo o genoma, (o epigenoma), particularmente no útero. A forma como o meio intrauterino molda o epigenoma humano pode fornecer valiosa informação sobre o risco de doenças e ajudar na gestão da saúde no decorrer da vida.
 

A equipa de cientistas internacional que conduziu este estudo demonstrou que o ambiente intrauterino define o perfil epigenético (alterações químicas ao ADN) do recém-nascido, o qual pode posteriormente ter implicações relativamente ao risco de doenças. Os investigadores analisaram, pela primeira vez, os perfis de metilação de ADN à escala do genoma de tecido de cordão umbilical, de sangue de cordão umbilical e da placenta de pares de gémeos monozigóticos e dizigóticos para avaliarem a forma como os genes, o ambiente partilhado fornecido pela mãe e os ambientes intrauterinos experienciados por cada gémeo contribuem para o epigenoma.
 

O grupo descobriu também que existem grandes diferenças no perfil epigenético de cada gémeo, à nascença. Estas diferenças verificam-se inclusivamente nos gémeos idênticos. “Isto deve ter a ver com acontecimentos que sucederam a um gémeo mas não ao outro”, defende o Dr. Jeffrey Craig, um dos autores líderes do estudo.
 

Os pares de gémeos, tanto monozigóticos como dizigóticos, são ideais para os estudos epigenéticos já que ambos pertencem à mesma mãe mas possuem o seu próprio cordão umbilical e saco amniótico, sendo que no caso dos gémeos idênticos estes têm a mesma constituição genética. Estudos anteriores demonstraram que a metilação pode variar significativamente dentro do mesmo gene em múltiplos tecidos de gémeos monozigóticos mas é importante saber como é o cenário da metilação de ADN num mesmo genoma.
 

Saber o perfil epigénico na altura do nascimento pode constituir uma ferramenta poderosa na gestão da saúde no futuro. “Isto oferece o potencial para se identificar e fazer o rastreio de doenças numa fase inicial da vida ou mesmo alterar o risco das mesmas através de um ambiente específico ou de intervenções na dieta alimentar”, conclui o Dr. Richard Saffery, coautor do estudo.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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