Dietas das revistas podem ser um perigo

Estudo avalia 112 regimes de emagrecimento

27 outubro 2004
  |  Partilhar:

Seguir as dietas publicadas em revistas de grande circulação pode ser um risco para a saúde.
 

 

Um estudo brasileiro que analisou as múltiplas dietas publicadas em revistas não-científicas durante oito meses revela alguns dados preocupantes. Cientistas da Universidad de São Paulo avaliaram 112 dietas, todas publicadas em 2002 em revistas populares, e chegaram à conclusão que «todas as dietas se mostraram inadequadas em relação a uma ou mais das substâncias avaliadas. Menos de 25 por cento das dietas apresentaram distribuição adequada de macro-nutrientes», escreveram os investigadores num artigo escrito nos Cadernos de Saúde Pública.
 

 

 

Houve um predomínio nos níveis inadequados de cálcio (85,7%), ferro (97,3%) e vitamina E (91,9%), revela ainda o artigo. Para analisar os nutrientes de todas as dietas, os cientistas usaram o programa Virtual Nutri. Os teores de micro-nutrientes foram comparados aos Dietary Reference Intakes, da Academia Norte-americana de Ciências.
 

 

 

Das 112 dietas analisadas, 95 recomendavam a ingestão de quantidades baixas em cálcio. Em uma delas, a quantidade indicada estava acima do limite máximo recomendado pelos nutricionistas. Segundo os autores do estudo, concentrações altas ou baixas de minerais e vitaminas são situações indesejáveis. Além disso, podem causar interacções negativas com outras vitaminas e outros minerais.
 

 

 

Outro ponto considerado negativo está relacionado com as instruções publicadas em conjunto com as dietas. A duração de sete dias, por exemplo, que é normalmente a que mais predomina nas revistas é insuficiente para uma perda de peso gradual e saudável, explicam.
 

 

 

Entre toda a amostra, apenas uma única dieta, publicada numa revista, estava realmente balanceada dentro dos padrões nutricionais e bioquímicos, segundo o estudo feito. As 1.387 calorias estavam distribuídas em 57,83% de hidratos de carbono, 15,51% de proteínas e 26,66% de lípidos. Além disso, estavam presentes 278,22 miligramas de colesterol, 19,36 miligramas de ferro, 1.145,5 miligramas de cálcio e 26,62 miligramas de vitamina E.
 

 

 

Para os cientistas, a conclusão das análises das dietas é uma só: «Não deveria ser permitido às publicações não-científicas anunciarem dietas para perda de peso que não apresentem uma composição química adequada». As dietas, da forma como que foram anunciadas, podem induzir, segundo o artigo, à adopção de práticas arriscadas de alimentação.
 

 

 

Traduzido e adaptado por:
 

 

 

Paula Pedro Martins
 

 

 

Jornalista
 

 

 

MNI-Médicos Na Internet
 

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.