Dieta rica em zinco aumenta suscetibilidade a infeção hospitalar

Estudo publicado na revista “Nature Medicine”

29 setembro 2016
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A ingestão de quantidades excessivas de zinco aumenta a suscetibilidade à infeção provocada pela bactéria Clostridium difficile (C. difficile), a causa mais comum de infeções adquiridas no hospital, atesta um estudo publicado na revista “Nature Medicine”.
 

Os investigadores da Universidade Vanderbilt, nos EUA, constataram que níveis elevados de zinco alteram o microbioma intestinal de uma forma semelhante ao tratamento com antibióticos, o fator de risco primário da infeção por C. difficile.
 

Estes achados são particularmente importantes para os pacientes que estão hospitalizados ou que estão a tomar antibióticos e suplementos de zinco.
 

Para o estudo, os investigadores alimentaram ratinhos com uma dieta com teor baixo, normal e elevado de zinco ao longo de cinco semanas. Verificou-se que, comparativamente com os animais alimentados com uma dieta com um teor baixo ou normal de zinco, aqueles que ingeriram quantidades elevadas deste mineral tinham uma flora intestinal alterada e eram mais suscetíveis à infeção por C. difficile a baixas doses de antibiótico. Os investigadores verificaram ainda que nestas circunstâncias a infeção era mais severa e letal.  
 

Os antibióticos aumentam a suscetibilidade à infeção provocada pela C. difficile, pois matam muitos dos organismos saudáveis presentes no intestino, diminuindo consequentemente a diversidade microbiana e permitindo que a bactéria se estabeleça. Eric Skaar referiu que a dieta rica em zinco altera, de uma forma semelhante, a estrutura do microbioma.
 

O estudo, liderado por Eric Skaar, também apurou que a proteína que se liga ao zinco, a calprotectina, é importante para combater a bactéria, uma vez que diminui a disponibilidade do zinco durante a infeção.
 

De acordo com investigador, estes resultados indicam que os indivíduos que têm um risco de serem infetados pela C. difficile não devem tomar suplementos de zinco a não ser que tenham uma deficiência clara deste mineral. No caso de terem necessidade de tomar este tipo de suplementos a dose não deve ser excessiva.
 

Eric Skaar conclui que este estudo demonstra que a toma cega e excessiva de suplementos pode ter consequências negativas graves e pode também afetar o equilíbrio da interação entre o hospedeiro e agente patogénico, favorecendo este último.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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