Dieta rica em sal associada ao desenvolvimento de doenças autoimunes

Estudo publicado na “Nature”

11 março 2013
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O aumento do consumo de sal através da dieta pode induzir a produção de um tipo de células do sistema imunológico que estão envolvidas na ativação de doenças autoimunes, como a esclerose múltipla e a psoríase, dá conta um estudo científico publicado na revista “Nature”.
 

Nas últimas décadas, os investigadores têm verificado um aumento da incidência de doenças autoimunes no mundo ocidental. Como este aumento não pode ser unicamente explicado por fatores genéticos, os cientistas colocaram a hipótese de estas doenças poderem estar associadas a fatores ambientais, nomeadamente ao tipo de dieta adotada.
 

Há alguns anos atrás, o investigador alemão Jens Titze verificou que o excesso de sal acumulava-se nos tecidos e poderia afetar um tipo de células do sistema imunológico, os macrófagos.
 

Num outro estudo, Markus Kleinewietfeld e David Hafler, investigadores da Yale University, do Massachusetts Institute of Technology e da Harvard University, nos EUA, constataram que a adoção de hábitos dietéticos específicos estava associada a alterações num tipo de linfócitos, os Th. Os investigadores explicam que existe um subtipo de linfócitos Th, os Th17, que para além de ajudarem no combate das infeções, desempenham também um papel importante no desenvolvimento das doenças autoimunes.
 

Através de experiências realizadas em cultura de células, os investigadores verificaram que na presença de elevadas quantidades de sal, a concentração de Th17 pode ser dez vezes superior ao normal. Estudos realizados em ratinhos demonstraram que a ingestão de elevadas quantidades de sal resultava numa forma mais agressivade encefalomielite autoimune experimental, um modelo para a esclerose múltipla. Foi verificado que o número de células pro-inflamatórias Th17 no sistema nervoso dos animais aumentou drasticamente com uma dieta rica em sal. O estudo apurou que a indução destas células era regulada pelo sal, ao nível molecular.
 

“Estes resultados são uma contribuição importante para a compreensão da esclerose múltipla e podem oferecer novos alvos para um melhor tratamento desta doença, para a qual ainda não existe cura”, revelou, em comunicado de imprensa, um outro autor do estudo, Ralf Linker.
 

Para além da esclerose múltipla, os investigadores também quiseram estudar a psoríase, uma outra doença autoimune na qual as células Th17 também estão envolvidas. Jens Titze descobriu, recentemente, que a pele também desempenha um papel importante no armazenamento de sal e afeta o sistema imunológico. “Seria interessante verificar se os sintomas da psoríase poderiam ser aliviados através da redução do consumo de sal”, referem os investigadores.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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