Dieta rica em proteínas aumenta risco de insuficiência cardíaca

Estudo da Universidade de Brown

17 novembro 2016
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As mulheres com mais de 50 anos que adotam uma dieta rica em proteínas podem ter um risco elevado de insuficiência cardíaca, especialmente se a fonte proteica for proveniente da carne, sugere um estudo apresentado nas Sessões Científicas de 2016 da Associação Americana do Coração.
 

Para o estudo, os investigadores da Universidade de Brown, nos EUA, avaliaram, entre 1993 e 1998 as dietas de 103.878 mulheres com idades compreendidas entre os 50 e os 70 anos. Ao longo do período de acompanhamento um total de 1.711 mulheres desenvolveu insuficiência cardíaca. Verificou-se que a taxa de insuficiência cardíaca para as mulheres com maior ingestão de proteína total foi significativamente maior, comparativamente com aquelas que ingeriram menos proteína diariamente ou obtiveram as proteínas através de vegetais.
 

Estes achados mantiveram-se inalterados mesmo após os investigadores terem em conta a idade, raça ou etnia, nível de escolaridade, pressão arterial elevada, diabetes, doença arterial coronária, anemia ou fibrilhação auricular.
 

Na opinião de Mohamad Firas Barbour, um dos autores do estudo, apesar de estes resultados deverem ser interpretados com cautela sugerem que, de facto, a adoção de uma dieta rica em proteína pode aumentar o risco de insuficiência cardíaca.
 

Uma vez que o autorrelato dietético pode não ser fiável, os investigadores utilizaram biomarcadores especiais para calibrar com precisão a ingestão diária de proteínas: água duplamente marcada e nitrogénio urinário. A água duplamente marcada utiliza marcadores não radioativos para avaliar a energia metabólica de um indivíduo, enquanto o nitrogénio urinário é utilizado para determinar quantidades reais de proteína dietética.
 

O investigador referiu que, apesar de ainda ser necessária uma melhor compreensão do risco dietético, este estudo sugere que a insuficiência cardíaca entre as mulheres pós-menopáusicas não só é altamente prevalente, mas pode ser evitada através de alterações na dieta.
 

Mohamad Firas Barbour acrescentou que, uma vez que a insuficiência cardíaca é altamente prevalecente, especialmente em mulheres pós-menopáusicas, é necessário uma melhor compreensão dos fatores nutricionais que estão associados à insuficiência cardíaca.
 

A Associação Americano do Coração recomenda a adoção de um padrão alimentar que enfatize o consumo de frutas, vegetais, cereais integrais, produtos lácteos com baixo teor de gordura, aves, peixe e nozes, e que limite a carne vermelha e alimentos açucarados e bebidas.
 

Os indivíduos que comem carne devem escolher carnes magras e aves sem pele e comer peixe pelo menos duas vezes por semana, preferencialmente peixes ricos em ácidos gordos ómega-3, como salmão, truta e arenque.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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