Dieta rica em proteínas animais tão prejudicial quanto tabagismo

Estudo publicado na revista “Cell Metabolism”

07 março 2014
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A adoção de uma dieta rica em proteínas de origem animal aumenta em quatro vezes o risco das pessoas morrerem de cancro, um fator de risco de mortalidade comparável ao tabagismo, dá conta um estudo publicado na “Cell Metabolism”.
 

O estudo levado a cabo pelos investigadores da Universidade do Sul da Califórnia, nos EUA, demonstrou que não é apenas o consumo excessivo de proteínas que está associado a um grande aumento da mortalidade por cancro, mas também a ingestão de grandes quantidade de proteínas de origem animal (incluindo carne, leite e queijo) que aumenta o risco das pessoas de meia idade  de morrerem precocemente.
 

Os investigadores constataram que, ao longo do período de estudo que teve uma duração de cerca de duas décadas, os amantes de carne tinham um risco 74% maior de morrer por qualquer causa, comparativamente com aqueles que ingeriam baixas quantidades deste tipo de proteínas. Estes apresentavam também um risco substancial de morrer de diabetes.
 

Em vez de analisarem a idade adulta como uma fase monolítica da vida, os investigadores liderados por Valter Longo decidiram averiguar como a biologia se altera à medida que se envelhece e de que forma as decisões tomadas na meia-idade afetam a longevidade.
 

Os autores do estudo explicam que as proteínas controlam a hormona de crescimento, a IGF-I, que apesar de ajudar o organismo, também está associada à suscetibilidade ao cancro. Os níveis desta hormona diminuem bastante após os 65 anos, conduzindo a uma maior fragilidade e perda muscular. O estudo demonstrou que apesar da dieta rica em proteínas durante a meia-idade ser prejudicial, esta é benéfica para os idosos. Foi verificado que os indivíduos com mais de 65 anos que adotaram uma dieta com teores moderados a elevados de proteínas eram menos suscetíveis de desenvolver doenças.
 

Por outro lado, foi constatado que as proteínas de origem vegetal, não parecem ter o mesmo efeito na mortalidade do que as proteínas animais. Foi também verificado que as taxas de cancro e morte não eram afetadas pelo consumo de hidratos de carbono ou gordura, o que sugere que de facto a proteína animal é a principal culpada.
 

Os investigadores referem que estes resultados apoiam as recomendações realizadas pelas agências de saúde que defendem o consumo diário na meia-idade de 0,8 gramas de proteína por quilograma de peso corporal.
 

O estudo defende que mesmo a ingestão moderada de proteínas tem efeitos prejudiciais para os indivíduos de meia-idade. De facto, estas pessoas continuam a apresentar um risco três vezes maior de morrer de cancro, comparativamente com aqueles que têm um consumo baixo.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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