Dieta rica em proteína porque emagrece?

Estudo do Imperial College London

10 novembro 2016
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Investigadores do Reino Unido desvendaram o mecanismo pelo qual a dieta com elevado teor de proteína causa perda de peso. O estudo apresentado na Conferência Anual da Sociedade de Endocrinologia pode assim conduzir ao desenvolvimento de novos fármacos e dietas capazes de travar a crescente epidemia da obesidade.
 

As hormonas conduzem o apetite, informando o organismo quando um indivíduo tem fome ou está saciado. A grelina e a GLP-1 são as hormonas associadas à sensação de fome e saciedade, respetivamente.
 

Estudos anteriores já tinham demonstrado que as dietas ricas em proteínas incentivavam a perda de peso, uma vez que fazem com que as pessoas se sintam mais saciadas. No entanto, estas dietas são difíceis de aderir e ainda não são conhecidos os mecanismos responsáveis por esta associação.
 

De forma a elucidar esta temática, os investigadores do Imperial College London, no Reino Unido, realizaram várias experiências em ratos e em ratinhos. Na primeira experiência, foi administrada a dez animais uma dose única de fenilalanina, uma substância química produzida no intestino quando o organismo decompõe alimentos ricos em proteínas como carne, peixe, leite e ovos.
 

Na segunda experiência foi administrada repetidamente, ao longo de sete dias, fenilalanina a ratinhos com obesidade induzida por dieta. Foram incluídas nas duas experiências o mesmo número de animais aos quais não foi fornecida fenilalanina.
 

O estudo apurou que uma dose única de ingestão de fenilalanina reduzia a ingestão de alimentos, aumentava os níveis de GLP-1 e diminuía os níveis de grelina. A administração repetida também causou a perda de peso nos animais obesos. Verificou-se também que os ratinhos se deslocavam mais, o que poderia incentivá-los a perder peso.
 

Com o intuito de perceber os mecanismos através dos quais a fenilalanina poderia estimular as hormonas, os cientistas analisaram as células intestinais. Observou-se que a fenilalanina interagia com o recetor sensível ao cálcio CaSR e que este, por sua vez, conduzia a um aumento dos níveis de GLP-1 e diminuía o apetite.
 

Mariana Norton, a líder do estudo, refere que este trabalho demonstra que a ativação do CaSR pode suprimir o apetite, sugerindo que a fenilalanina e outras moléculas que estimulem este recetor, como fármacos ou componentes alimentares, podem ser utilizados para prevenir ou impedir a obesidade.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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