Dieta rica em gordura: por que aumenta o risco de cancro?

Estudo publicado na revista “Nature”

07 março 2016
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Investigadores americanos descobriram por que motivo a adoção de uma dieta rica em gordura aumenta o risco de as células do intestino se tornarem cancerosas, dá conta um estudo publicado na revista “Nature”.
 
O estudo realizado pelos investigadores do Instituto Whitehead e do MIT, nos EUA, sugere que uma dieta rica em gordura ativa o crescimento de uma população de células estaminais intestinais e também produz um conjunto de outras células que se comportam como células estaminais, ou seja, são capazes de se reproduzir indefinidamente e diferenciar noutro tipo de células. Estas células estaminais são mais suscetíveis a dar origem a tumores intestinais.
 
“Não só a dieta rica em gordura altera a biologia das células estaminais, como também altera a biologia das células não estaminais, que coletivamente conduz a um aumento da formação do tumor”, revelou, em comunicado de imprensa, o líder do estudo, Ömer Yilmaz.
 
Os indivíduos obesos têm um maior risco de cancro colorretal. Estudos recentes demonstraram que as células estaminais intestinais, que duram uma vida, são as mais suscetíveis a acumular mutações que dão origem ao cancro do cólon. Estas células estaminais vivem no revestimento do intestino, conhecido como o epitélio, e geram todos os diferentes tipos de células que formam o epitélio.
 
De forma a investigar uma possível ligação entre estas células estaminais e o cancro associado à obesidade, os investigadores alimentaram, ao longo de nove a 12 meses, ratinhos saudáveis com uma dieta com 60% de gordura. Esta dieta tem um teor mais elevado de gordura do que a dieta típica americana.
 
O estudo apurou que estes ratinhos ganharam mais 30 a 50% de massa corporal e desenvolveram mais tumores intestinais do que os alimentados com uma dieta normal. Verificou-se ainda que estes animais tinham mais células intestinais do que os ratinhos alimentados com uma dieta normal. Estas células intestinais eram capazes de funcionar independentemente das células vizinhas.
 
Em circunstâncias normais, as células estaminais intestinais estão rodeadas por células suporte, que regulam a atividade das células estaminais e informam-nas quando é necessário diferenciarem-se em células específicas dos tecidos. Contudo, verificou-se que as células estaminais dos intestinos dos ratinhos alimentados com uma dieta rica em gordura eram tão independentes que, quando cultivadas isoladamente eram capazes de produzir “mini-intestinos”, mais rapidamente que as células estaminais dos ratinhos alimentados com uma dieta normal. 
 
Os investigadores também constataram que uma outra população de células conhecidas como células progenitoras começaram a comportar-se como células estaminais. Estas começaram a sobreviver durante mais tempo (o habitual são poucos dias) e a dar origem a mini-intestinos quando cultivadas fora do organismo.
 
“Isto é muito importante, porque sabe-se que as células estaminais são as células no intestino que adquirirem as mutações que vão dar origem a tumores. Não só se tem mais das células estaminais tradicionais (numa dieta rica em gordura), como também as populações de células não estaminais têm a capacidade de adquirir mutações que dão origem a tumores”, conclui o investigador.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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