Dieta rica em gordura: como afeta o metabolismo do fígado?

Estudo publicado no “The Journal of Clinical Investigation”

26 janeiro 2017
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A adoção de uma dieta rica em gordura saturada está associada ao desenvolvimento da doença do fígado gordo não alcoólica e resistência à insulina. No estudo publicado no “The Journal of Clinical Investigation” uma equipa de investigadores alemães decidiu averiguar esta interação ao nível molecular.
 

A doença do fígado gordo não alcoólica é uma condição em que o excesso de gordura é armazenado no fígado de um indivíduo que bebe pouco ou nenhum álcool. Esta doença que é marcada pela inflamação hepática, afeta mais comumente indivíduos obesos entre os 40 e os 50 anos.
 

A doença do fígado gordo não alcoólica é principalmente caracterizada pela acumulação de gordura no fígado, a qual é habitualmente acompanhada pela resistência à insulina, aumentando consequentemente o risco de diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares.
 

Apesar de a adoção de uma dieta rica em gorduras saturadas estar associada à doença do fígado gordo não alcoólica, até à data a comunidade científica ainda não sabia ao certo como os alimentos ricos em gordura iniciam estas alterações no fígado. Adicionalmente, ainda se desconhece por que motivo a adoção de uma dieta rica em gordura nem sempre conduz à doença e, por outro lado, por que motivo a doença do fígado gordo não alcoólica se desenvolve em indivíduos que adotam uma dieta saudável.
 

Foi neste contexto que os investigadores do Centro de Diabetes Alemão decidiram analisar como um único episódio de um elevado consumo de gordura afetava a sensibilidade à insulina e outros marcadores do metabolismo em humanos e ratinhos.
 

Para o estudo os investigadores, liderados por Elisa Álvarez Hernández, contaram com a participação de 14 indivíduos saudáveis e magros aos quais foi fornecida uma quantidade de óleo de palma equivalente a uma refeição rica em gordura. Paralelamente foi realizada uma experiência semelhante em ratinhos.
 

Os investigadores constataram que ocorreu um aumento imediato da acumulação de gordura, bem como alterações no metabolismo do fígado. Verificou-se também um aumento dos níveis de triglicerídeos, resistência à insulina e aumento da glicagina (uma hormona que aumenta os níveis de glicose) na corrente sanguínea.
 

O estudo apurou que após a ingestão de uma dose única de óleo de palma, a sensibilidade à insulina do organismo diminuiu 25%, a sensibilidade à insulina no fígado diminuiu 15% e a sensibilidade à insulina no tecido adiposo diminuiu 34%.
 

Os níveis de triglicerídeos hepáticos, o principal constituinte da gordura corporal em seres humanos e um marcador de doenças metabólicas e cardiovasculares, também aumentaram em 35%.
 

Estes achados sugerem que a ingestão de gordura saturada está na base da doença metabólica ao influenciar o metabolismo hepático e o armazenamento de gordura.
 

Os autores do estudo concluem que a ingestão de gordura saturada aumenta rapidamente os lípidos hepáticos, o metabolismo energético e resistência à insulina. Assim através do conhecimento da maquinaria metabólica responsável pela doença do fígado gordo não alcoólica, a comunidade científica pode descobrir novas formas de tratar esta condição prevalente e destrutiva.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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