Dieta rica em frutose é prejudicial para o cérebro

Estudo publicado no “Journal of Physiology”

21 maio 2012
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A adoção de um dieta rica em frutose, durante um logo período de tempo altera a capacidade de aprendizagem e de memória do cérebro, mas a inclusão de alimentos ricos em ácidos gordos ómega-3 pode ajudar a minimizar os danos, sugere um estudo publicado no “Journal of Physiology”.

 

Investigações prévias já tinham revelado que o consumo de frutose era prejudicial para o organismo, pois está envolvido no desenvolvimento da diabetes, obesidade e fígado gordo mas este é o primeiro estudo que relata a influência deste açúcar no cérebro.

 

Os investigadores da University of California, nos EUA, estão preocupados com a utilização do xarope de milho que é muito rico em frutose, o qual é adicionado habitualmente a alimentos processados, incluindo refrigerantes, condimentos e comida de bebé. “Não estamos a falar da frutose encontrada naturalmente na fruta, que contém importantes antioxidantes”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Fernando Gomez-Pinilla. “Estamos preocupados com o xarope de milho que contém elevadas quantidades de frutose e que é habitualmente adicionado aos produtos processados como adoçantes ou conservantes”.

 

Neste estudo realizado com ratinhos, os investigadores adicionaram à água dos animais frutose durante seis semanas. Um segundo grupo de ratinhos também consumiu ácidos gordos ómega-3 sob a forma de ácido docosahexaenóico (DHA), que protege contra danos ocorridos nas sinapses - ligações químicas que existem entre os neurónios que estão envolvidas nos processos de memória e aprendizagem.

 

Antes de terem iniciado a dieta experimental, os ratinhos foram alimentados com uma dieta normal e foram treinados, durante cinco dias, a percorrer um labirinto duas vezes por dia. Os investigadores testaram a capacidade dos ratinhos percorrerem o labirinto que continha vários buracos mas apenas uma saída. Foram também colocados marcos visuais no labirinto para ajudar os animais a aprenderem e a lembrarem-se do percurso.

 

Seis semanas mais tarde os investigadores testaram a capacidade de memória dos ratinhos, tendo observado que o segundo grupo dos animais percorria o labirinto muito mais rápido do que aqueles que não tinham consumido ácidos gordos ómega-3. Os animais que tinham sido privados de DHA eram muito mais lentos apresentando os seus cérebros um declínio da atividade sináptica. Os neurónios tinham uma maior dificuldade a comunicar entre si, afetando a capacidade dos animais pensarem claramente e de se recordarem do caminho que tinham aprendido.

 

Estes ratinhos que não tinham consumido DHA também desenvolveram sinais de resistência à insulina, uma hormona que controla os níveis de glucose no sangue e que regula a função sináptica no cérebro. Através da análise dos tecidos dos cérebros dos ratinhos os investigadores verificaram que a insulina perdeu a capacidade de influenciar os neurónios.

 

Os investigadores suspeitam que a frutose é a responsável pela disfunção dos ratinhos que não foram alimentados com DHA. O consumo de elevadas quantidades de frutose pode bloquear a capacidade da insulina regular o modo como as células utilizam e armazenam a glucose para a energia necessária para o processamentos dos pensamento e emoções.

 

“O nosso estudo mostra que uma dieta rica em frutose pode ser prejudicial para o organismo bem como para o cérebro, mas o consumo regular de DHA pode proteger contra estes efeitos prejudiciais, conclui Fernando Gomez-Pinilla.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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