Dieta que mimetiza jejum abranda envelhecimento

Estudo publicado na revista “Cell Metabolism”

23 junho 2015
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Investigadores americanos defendem que a adoção periódica de uma dieta que mimetiza o jejum pode ter uma vasta gama de benefícios para a saúde, dá conta um estudo publicado na revista “Cell Metabolism”.
 

Os investigadores da Universidade da Carolina do Sul, nos EUA, demonstraram que o ciclo de quatro dias de uma dieta hipocalórica que mimetiza o jejum (FMD, sigla em inglês) diminui a gordura visceral, aumenta o número de células progenitoras e de células estaminais em vários órgãos de ratinhos, incluindo o cérebro, onde ativa a regeneração neuronal e aumenta as capacidades de aprendizagem e memória.
 

O estudo que incluiu experiências realizadas em leveduras, ratinhos e também em humanos. Verificou-se que a adoção, em ciclos bimestrais, da FMD ao longo de quatro dias aumentou a longevidade, reduziu a incidência de cancro, ativou o sistema imunológico, reduziu o desenvolvimento de doenças inflamatórias, retardou a perda da densidade mineral óssea e melhorou as capacidades cognitivas dos ratinhos mais velhos. A ingestão total de calorias mensal foi a mesma para o grupos de dieta FMD e para o do controlo, o que sugere que os efeitos não eram resultantes de uma restrição alimentar global.
 

Num estudo piloto em humanos, que incluiu 19 indivíduos, a adoção de três ciclos de uma dieta similar, uma vez por mês, durante cinco dias, diminui os fatores de risco e biomarcadores do envelhecimento, diabetes, doença cardiovascular e cancro, sem ocorrência de efeitos secundários graves.
 

A adoção desta dieta reduziu a ingestão calórica para cerca 34 a 54% do normal, com uma composição específica de proteínas, hidratos de carbono, gorduras e micronutrientes. Esta dieta diminui a quantidade da hormona IGF-I, que é necessária durante o desenvolvimento para crescer, mas é uma promotora do envelhecimento e tem sido associada à suscetibilidade ao cancro. A dieta também aumentou a quantidade da hormona IGFBP e reduziu biomarcadores / fatores de risco associados à diabetes e doenças cardiovasculares, incluindo a glucose, gordura e proteína C-reativa, sem afetar negativamente a massa muscular e óssea.
 

Os investigadores já tinham previamente demonstrado que o jejum ajudava a matar as células cancerígenas enquanto protegia as células do sistema imunitário e outras dos efeitos tóxicos da quimioterapia.
 

“É uma questão de reprogramar o organismo de forma a ele entrar num modo de envelhecimento mais lento, mas também de rejuvenescimento baseado na regeneração das células estaminais”, revelou, em comunicado de imprensa, o líder do estudo, Valter Longo.
 

O investigador acredita que para a maioria das pessoas saudáveis, a FMD pode ser feita cada três a seis meses dependendo da circunferência abdominal e do estado de saúde. Para os indivíduos obesos ou para aqueles com fatores de risco elevados, esta dieta poderia ser recomendada uma a cada duas semanas.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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