Dieta pobre em ferro na adolescência afeta estrutura do cérebro

Estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences”

18 janeiro 2012
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Uma dieta pobre em ferro, durante a adolescência, pode afetar a estrutura do cérebro, anos mais tarde, sugere um estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences”.

 

O ferro e as proteínas que o transportam são essenciais para o funcionamento do cérebro. A carência deste mineral é uma das deficiências nutricionais mais comuns em todo o mundo, conduzindo a um pobre desempenho cognitivo nas crianças em idade escolar. Na vida adulta, o excesso de ferro está associado com danos cerebrais, e concentrações de ferro anormalmente elevadas estão presentes nos cérebros dos pacientes que sofrem de Alzheimer, Parkinson e doença de Huntington.

 

Uma vez que tanto a deficiência e como o excesso de ferro pode ter um impacto negativo na função cerebral, a regulação do transporte deste mineral para o cérebro é crucial.

 

Neste estudo os investigadores da University of California, nos EUA, propuseram-se a determinar se a disponibilidade de ferro, no período de desenvolvimento crucial da adolescência, tinha algum impacto na organização do cérebro numa fase mais avançada da vida.

 

Os investigadores, liderados por Paul Thompson, obtiveram assim imagens de ressonância magnética de 615 jovens adultos saudáveis, que tinham uma média de 23 anos de idade. Do total destes participantes, 574 também foram submetidos a um tipo diferente de ressonância magnética que conseguia identificar a mielina no cérebro, a sua força e integridade. A mielina é uma substância lipídica que envolve os axónios permitindo uma condução mais eficiente dos impulsos nervosos. O ferro tem um papel importante na produção da mielina.

 

De forma a estimar a disponibilidade de ferro durante a adolescência, os níveis de transferrina, uma proteína que transporta o ferro através do organismo, foram avaliados quando os participantes tinham 12, 14 e 16 anos.

 

O estudo revelou que os participantes que tinham níveis elevados de transferrina, um sinal de níveis baixos de ferro incluídos na dieta alimentar, apesentavam alterações estruturais em regiões do cérebro que são vulneráveis ao processo neurodegenerativo. Os cientistas também identificaram um conjunto de genes que influenciam tanto os níveis de transferrina, como a estrutura do cérebro.

 

“Então este é um dos grandes segredos do cérebro”, revelou Paul Thompson, em comunicado de imprensa. “Não estávamos à espera que o consumo de ferro durante adolescência afetasse tanto o cérebro. Mas ao que parece tem grande influência”.

 

Na opinião dos autores do este estudo, estes resultados poderão ajudar a compreender os mecanismos neuronais através dos quais o ferro afeta a função cognitiva, o neurodesenvolvimento e a neurodegeneração.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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