Dieta mediterrânica: reações químicas podem evitar úlceras pépticas

Estudo liderado pela Universidade de Coimbra

17 dezembro 2013
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As reações químicas no estômago produzidas pela dieta mediterrânica podem evitar úlceras pépticas, dá conta um estudo internacional, liderado por investigadores da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra (FFUC).
 

“Até agora, o nitrito era sinónimo de molécula altamente tóxica associada ao cancro do estômago e os polifenóis símbolo de antioxidantes”, mas esta investigação demonstrou que a reação destes compostos no estômago “pode evitar o desenvolvimento de úlceras pépticas”, referiu a Universidade de Coimbra (UC).
 

De acordo com a notícia avançada pela agência Lusa, o estudo revelou que “a dieta mediterrânica contém nitritos em quantidades elevadíssimas” (existentes nos vegetais verdes), assim como os polifenóis (presentes nos vegetais, na cebola, no vinho e na maçã, entre outros produtos), que, “em conjunto, produzem óxido nítrico (NO), molécula essencial para proteger o estômago de algumas patologias, através da regulação celular”.
 

O estômago funciona como “um biorreator que promove as condições adequadas para a produção de óxido nítrico em quantidade suficiente, podendo regular processos gástricos e outros mais globais e, em caso de inflamação, impedir, por exemplo, o surgimento de úlcera péptica”, explicaram os investigadores envolvidos no estudo, João Laranjinha e Bárbara Rocha.
 

A possibilidade de impedimento da formação de úlcera péptica deve-se ao facto de aqueles processos modificarem “a estrutura química de proteínas endógenas que, desta forma, adquirem uma atividade antiulcerogénica previamente inexistente”, adiantam os investigadores.
 

Os estudos realizados em “modelos animais e em humanos” permitiram concluir que “através da dieta alimentar é possível controlar algumas doenças do estômago, produzindo um regulador celular (NO) por processos puramente químicos”, explicam os investigadores.
 

“Estamos perante uma mudança de paradigma, porque identificámos nova atividade dos polifenóis e do nitrito no organismo”, disseram os especialistas, sublinhando que se forma “uma nova equação: a produção de óxido nítrico a partir destas duas moléculas desencadeia uma série de ações e, em caso de inflamação, são formados compostos antiulcerogénicos”.
 

O regulador celular NO é, de facto, considerado “um grande maestro da regulação celular no organismo”, realça João Laranjinha.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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