Dieta mediterrânea reduz risco de acidente vascular cerebral

Estudo publicado na revista “Diabetes Care”

19 agosto 2013
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Uma variante genética fortemente associada ao desenvolvimento da diabetes tipo 2 parece interagir com o padrão de dieta mediterrânica e impedir o acidente cerebral vascular (AVC), sugere um estudo publicado na revista “Diabetes Care”.
 

Neste estudo, os investigadores da Tufts University, nos EUA, e do CIBER Fisiopatología de la Obesidad y Nutriciόn, em Espanha, propuseram-se a analisar se a genética contribuía para os benefícios cardiovasculares observados no ensaio de prevenção com a dieta mediterrânica (PREDIMED, sigla em inglês).
 

O estudo contou com a participação de mais de sete mil homens e mulheres que foram convidados a adotar a dieta mediterrânica ou ingerir uma dieta com baixo teor de gordura. Ao longo de quase cinco anos, os participantes foram monitorizados no que diz respeito ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares, AVC e enfarte agudo do miocárdio.
 

Os investigadores, liderados por José M. Ordovás, focaram-se numa variante do gene TCF7L2 que já tinha sido previamente associada ao metabolismo da glucose, embora a sua associação ao risco e desenvolvimento de doenças cardiovasculares ainda permanecesse incerta. O estudo refere que 14% dos participantes tinham duas cópias da variante do gene e apresentam um risco aumentado de doença.
 

O estudo apurou que a dieta mediterrânica ajudou a reduzir o número de AVC nos indivíduos com duas cópias da variante. “A alimentação ingerida pareceu eliminar qualquer aumento da suscetibilidade de desenvolvimento do AVC, colocando-as [as pessoas com duas cópias da variante] ao mesmo nível que as pessoas com uma ou nenhuma cópia da variante”, explicou o investigador.
 

Relativamente ao grupo de controlo, que seguiu uma dieta com baixo teor de gordura, os que apresentavam duas cópias da variante eram quase três vezes mais suscetíveis de ter um AVC, comparativamente com aqueles que tinham uma ou nenhuma cópia da variante.
 

Os investigadores verificaram ainda que a forma como os participantes tinham aderido à dieta mediterrânica poderia influenciar os resultados. Deste modo, as duas cópias da variante genética não pareceram ter qualquer influência nos níveis de glucose em jejum nos indivíduos com elevada adesão à dieta mediterrânica. Resultados semelhantes foram encontrados para três fatores do risco de doença cardiovascular: colesterol total, LDL e triglicerídeos. Pelo contrário, este risco foi considerado elevado nos participantes que tiveram uma baixa adesão à dieta.
 

“Através da capacidade de analisar a reação entre a dieta, genética e os eventos cardíacos que colocam em risco vidas das pessoas, podemos começar a pensar seriamente em desenvolver testes genéticos capazes de identificar as pessoas que podem reduzir o seu risco de doenças crónicas, ou mesmo impedi-lo, através de alterações na deita”, concluem os autores do estudo.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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