Dieta do pai afeta risco de cancro da mama nas filhas?

Estudo publicado na revista “Breast Cancer Research”

28 julho 2016
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Os hábitos dietéticos dos pais podem afetar o risco de as filhas desenvolverem cancro da mama, refere um estudo realizado em ratinhos e publicado na revista “Breast Cancer Research”.
 

O estudo realizado pelos investigadores da Universidade de São Paulo, no Brasil, demonstrou que a descendência feminina de ratinhos-machos alimentados com uma dieta rica em gorduras de origem animal apresentava um risco aumentado de cancro da mama. Por outro lado, uma dieta rica em gorduras vegetais diminuía o risco deste cancro na descendência.
 

“Apesar de nos últimos anos, o interesse pelo papel dos pais na saúde dos filhos ter aumentado, a informação relativa aos fatores paternais no risco de cancro da mama das filhas é muito reduzida”, referiu, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Thomas Ong.
 

Para o estudo, os investigadores alimentaram 3 grupos de 20 ratinhos-machos com uma dieta rica em gorduras de origem animal ou de origem vegetal ou uma dieta controlo. Os ratinhos foram cruzados com fêmeas alimentadas com uma dieta normal. A descendência foi alimentada com uma dieta normal e 50 dias após o nascimento foram induzidos tumores mamários.
 

Os investigadores constataram que as crias fêmeas que foram alimentadas com qualquer uma das dietas ricas em gordura apresentaram uma redução na morte das células tumorais, comparativamente com aquelas da dieta controlo. Contudo, as crias alimentadas com uma dieta rica em gordura vegetal apresentaram uma redução no crescimento tumoral, comparativamente com as alimentadas com uma dieta rica em gordura animal ou dieta controlo. Estas crias também apresentaram uma latência tumoral mais alargada, ou seja os tumores demoraram mais tempo a crescer, e menos tumores, comparativamente com as crias alimentadas com uma dieta rica em gordura animal
 

Os investigadores também recolheram sémen dos ratinhos-machos e das glândulas mamárias das crias com o intuito de investigar alterações no microARN e expressão de proteínas. Verificou-se que estes dois grupos de animais apresentavam alterações no microARN e proteínas que poderiam afetar o crescimento celular, sobrevivência celular ou morte celular.
 

De acordo com os investigadores, os resultados sugerem que as alterações induzidas pela dieta nas células paternas germinativas, mesmo antes da conceção podem influenciar o risco das crias fêmea desenvolverem cancro da mama.
 

“Caso estes resultados sejam confirmados nos estudos em humanos, podem ser desenvolvidas potenciais estratégias de proteção contra o cancro da mama que tenham como alvo a dieta do pai antes da conceção”, concluiu o investigador.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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