Dieta da mãe antes da gravidez pode afetar permanentemente a saúde dos filhos

Estudo publicado na revista “Genome Biology”

16 junho 2015
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Uma equipa internacional de investigadores demonstrou, pela primeira vez, que o ambiente vivido pela mãe em torno da conceção pode alterar permanentemente a função de um gene envolvido na imunidade e no risco de cancro da criança. O estudo publicado na revista “Genome Biology” defende que a dieta desempenha um papel chave neste processo.


Estudos anteriores realizados pelos investigadores do Medical Research Council, com sede na Gâmbia, em África, do London School of Hygiene & Tropical Medicine, no Reino Unido e do Baylor College of Medicine, nos EUA, tinham demonstrado que o ADN de uma criança pode ser afetado pela dieta da mãe antes da gravidez. Neste estudo constataram que o gene VTRNA2-1 era particularmente sensível a estas alterações. O VTRNA2-1 é um gene supressor tumoral que também afeta o modo como o organismo responde às infeções virais.


Está bem estabelecido que pequenas alterações no ADN podem afetar o risco de desenvolvimento de várias doenças. Apesar de os genes de uma criança serem herdados de ambos os pais, o modo como os genes são expressos é controlado através de modificações epigenéticas no ADN. As modificações epigenéticas mais comumente estudadas são “marcas” químicas (metilação) que são colocadas no ADN de genes que impedem um mensagem de ser lida. Estas marcas podem ser influenciadas pelo ambiente de um indivíduo. Uma vez que a metilação necessita de um conjunto definido de nutrientes, a nutrição da mãe antes e ao longo da gravidez pode afetar estas “marcas”, com consequências potencialmente permanentes para a função genética do bebé.


Na Gâmbia, a população depende em larga escala dos alimentos cultivados para a sua alimentação e um clima marcadamente sazonal impõe grandes diferenças na dieta desta população, oscilando entre uma estação de chuvas, durante a qual os alimentos escasseiam, e uma estação seca, durante a qual é efetuada a colheita das produções.


Para o estudo, os investigadores contaram com a participação de 120 mulheres grávidas que conceberam no pico das estações de chuva ou seca. A concentração dos nutrientes foi medida no sangue das mães. Posteriormente, foram analisadas amostras de sangue e do folículo piloso dos bebés entre os dois e os oito meses.


“Os nossos resultados demonstraram que as marcas de metilação que regulam a forma como o VTRNA2-1 é expresso são influenciadas pela estação em que os bebés são concebidos. A nutrição materna é provavelmente o fator mais determinante”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Matt Silver.


Estudos anteriores realizados em torno do gene VTRNA2-1 sugeriram que as alterações epigenéticas observadas podem afetar a capacidade de um indivíduo combater as infeções virais, mas também alterar a sua atividade supressora dos tumores e possivelmente fornecer proteção contra determinados cancros.


“Acreditamos que esta é a primeira evidência concreta de que a dieta da mãe antes da gravidez pode afetar o risco de doença da criança ao reescrever uma pequena porção do seu epigenoma” conclui Andrew Prentice.


ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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