Dieta contemporânea danifica os dentes

Estudo publicado na “Nature Genetics”

21 fevereiro 2013
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A população atual tem uma menor diversidade de bactérias orais comparativamente com as populações ancestrais, o que segundo estudo publicado na “Nature Genetics” tem contribuído para as doenças crónicas orais desenvolvidas após a era industrial.
 

A análise do ADN das bactérias presentes nos dentes dos humanos ao longo da idade ancestral até à moderna, permitiu os investigadores da University of Adelaide's Australian Centre for Ancient DNA, University of Aberdeen, na Escócia, e do Wellcome Trust Sanger Institute, no Reino Unido, conhecerem os efeitos que a evolução da dieta e dos comportamentos tiveram na saúde, desde a idade da pedra até à atual.
 

Neste estudo, os investigadores, liderados por Alan Cooper, extraíram o ADN da placa dentária calcificada de 32 esqueletos pré-históricos humanos oriundos do nordeste da Europa. Posteriormente, foram analisadas as alterações na população bacteriana oral que ocorreram na idade pré-histórica, na idade do bronze, na idade medieval, revolução industrial e mais tarde.
 

Os estudo apurou que ocorreram alterações prejudiciais nas bactérias presentes na cavidade oral à medida que a dieta se alterou, desde a altura da história em que os agricultores sucederam aos caçadores–coletores. Ocorreram também alterações quando a população começou a produzir alimentos durante a revolução industrial. A introdução do açúcar e farinha durante esta era conduziu a uma diminuição dramática da diversidade das bactérias persentes na cavidade oral, o que permitiu que as estirpes causadoras de cáries dominassem. De acordo com os autores do estudo, a cavidade oral atual existe num estado de permanente de doença.
 

“Este é o primeiro registo de como a evolução, que ocorreu ao longo de 75000 anos, teve impacto nas bactérias presentes no nosso organismo e na saúde”, revelou em comunicado de imprensa, Alan Cooper
 

Uma outra autora do estudo, Keith Dobney, conclui que este estudo fornece uma perspetiva completamente nova de como as populações humanas viveram e morreram no passado. Se a história genética das doenças, que ainda hoje afetam os humanos, for conhecida, os investigadores poderão tratar estas doenças mais eficazmente. O rastreio das doenças ao longo do tempo tem importantes implicações no conhecimento das origens e história da saúde humana – o que torna os dados arqueológicos um material extremamente relevante para os médicos e geneticistas da era atual.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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