Diálise peritoneal tem vindo a aumentar entre os insuficientes renais

Dados da Sociedade Portuguesa de Nefrologia

23 janeiro 2013
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O número de insuficientes renais que fazem diálise peritoneal, tratamento efetuado em casa, aumentou 26,5% entre 2008 e 2011, passando de 511 para 704 doentes, de acordo com o presidente da Sociedade Portuguesa de Nefrologia.
 

“Tem havido um aumento lento, mas progressivo” da diálise peritoneal, disse Fernando Nolasco à agência Lusa.
 

Em 2011, o número de doentes que iniciou diálise peritoneal representava 9,6%, quando em 2003 se situava nos 4,8%. A maioria destes doentes tem mais de 65 anos. Entre 2008 e 2011, o número de doentes em hemodiálise passou de 9.300 para 10.400 (15%).
 

De acordo com o nefrologista, “a diálise peritoneal tem o benefício de dar maior independência e liberdade ao doente”, apesar de ser uma técnica com um tempo de eficácia mais reduzido do que a hemodiálise. Por outro lado, o doente tem de ter em casa “as condições de assepsia” necessárias e “capacidades de treino suficientes para poder manipular” os cateteres e os dispositivos sem os contaminar. “Desde que sejam cumpridos todos os procedimentos, é uma boa técnica, com uma boa capacidade de resposta”, disse o médico.
 

Augusta Gaspar, do Serviço de Nefrologia do Hospital de Santa Cruz, acrescentou que a diálise peritoneal “exige o ensino do doente”.
 

“Precisa de aprender a técnica e ter os conhecimentos sobre cuidados de higiene a ter no domicílio e de desinfeção da região do cateter para prevenir infeções”, explicou a nefrologista.
 

Também as empresas que fornecem os produtos para a diálise peritoneal estão em articulação com o hospital e dão apoio domiciliário aos doentes através de enfermeiros especializados. Para Augusta Gaspar, a “grande vantagem” desta técnica é a “poupança nos transportes”, com o doente a necessitar de “muito menos idas ao hospital do que o doente da hemodiálise”.
 

“Esta técnica tem a vantagem de dar autonomia ao doente para fazer o tratamento nos horários que lhe dão mais jeito, mas também exige que o doente seja cumpridor”, frisou.
 

A médica adiantou que “há poucas contraindicações para fazer diálise peritoneal do ponto de vista clínico”, mas há outras relacionadas com o ambiente social do doente e a capacidade de aderência e de execução do tratamento.
 

Segundo um estuo realizado por Marta Olim, do Hospital de Santa Cruz, intitulado “Diálise Peritoneal Assistida. Que futuro?”, apesar de os doentes estarem eventualmente interessados as famílias sentiam-se muito sobrecarregadas, porque não há apoios para as famílias nestas situações”, disse a assistente social. “Se houvesse um apoio das famílias em termos económicos era muito mais fácil”, defendeu Marta Olim.

 

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