Diabéticos: porque estão em maior risco de complicações microvasculares?

Estudo publicado na revista “Cell Metabolism”

10 fevereiro 2014
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Investigadores americanos descobriram que uma molécula envolvida no crescimento de vasos sanguíneos nos músculos tem um efeito oposto nas células endoteliais dos pacientes com diabetes, afetando o crescimento dos vasos sanguíneos e conduzindo a complicações vasculares perigosas, que podem resultar em infeções crónicas e amputações dos membros, refere um estudo publicado na revista “Cell Metabolism”.
 

Apesar de se acreditar que os níveis elevados de glucose estão de alguma forma associados com a incapacidade de as úlceras crónicas e infeções curarem devidamente, ainda não se sabia, até à data, como este processo ocorria.
 

Os investigadores do Beth Israel Deaconess Medical Center, nos EUA, já estudam a molécula PGC-1alfa há mais de uma década, tendo descoberto que esta é sensível a níveis baixos de oxigénio e aos nutrientes nas células musculares, promovendo o crescimento de novos vasos sanguíneos, um processo conhecido por angiogénese.
 

Uma vez que as células endoteliais presentes nos vasos sanguíneos são as responsáveis por levar a cabo este processo, os investigadores decidiram investigar o papel da PGC-1alfa na diabetes.
 

Após terem realizado várias experiências in vitro e in vivo, os investigadores constataram que nas células endoteliais a PGC-1alfa é induzida pela diabetes, o que inibe fortemente a migração endotelial, a angiogénese, resultando na disfunção vascular.
 

“Estes resultados foram surpreendentes, uma vez que os efeitos da PGC-1alfa nas células endoteliais são opostos aos seus efeitos nas células musculares. Enquanto nestas últimas a PGC-1alfa tem um efeito pro-metabólico, nas células endoteliais impede o crescimento dos vasos sanguíneos nos pacientes com diabetes e compromete consequentemente a recuperação das feridas”, explicou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Zoltan Arany.
 

Os autores do estudo concluem que estes resultados não só ajudam a explicar os mecanismos moleculares envolvidos nos problemas microvasculares da diabetes, como também sugere que, devido aos seus efeitos antagónicos nos diferentes tipos de células, a utilização da PGC-1alfa como potencial alvo terapêutico deve ser considerada com muita precaução.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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