Diabéticos devem cozinhar em lume brando

Alimentos cozidos a alta temperatura eleva risco de inflamação

13 novembro 2002
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Afinal, esperar um pouco mais pela comida não faz nenhum mal, pelo contrário, quanto mais tempo demorar a fazer o seu jantar, melhor para a sua saúde, em especial se for diabético.
 

 

Tudo porque, sugere um estudo recente, as pessoas com diabetes podem diminuir o risco de desenvolver doença cardíaca se consumirem alimentos frios ou pratos preparados a temperaturas relativamente baixas.
 

 

Os investigadores norte-americanos, que realizaram o estudo, acreditam que a preparação de alimentos em altas temperaturas aumenta os níveis de substâncias químicas com potencial tóxico. E isto, enquanto uma pessoa saudável pode tolerar essas substâncias, os diabéticos têm menos condições de reagir contra os efeitos dos químicos.
 

 

As substâncias químicas com potencial tóxico são formadas quando a combinação de açúcares, proteínas e gorduras - encontradas em vários alimentos - é aquecida. Mas, elas também podem ser geradas por gorduras, açúcares e proteínas que circulam no corpo.
 

 

Quando determinados tecidos do corpo são expostos a essas substâncias químicas por um longo período de tempo, podem perder a sua elasticidade natural. Um exemplo desse processo é o modo como as paredes dos vasos sanguíneos podem tornar-se mais rígidas, permitindo a acumulação de placas de gordura, que podem bloquear os vasos e causar problemas.
 

 

Os diabéticos têm uma tendência natural para desenvolver problemas do coração, e uma das razões que conduz a esta situação é que o alto nível de açúcar no sangue, o qual proporciona mais oportunidades para a gerar substâncias químicas.
 

 

No entanto, ainda não está confirmado se as substâncias químicas que são produzidas, externamente, durante a preparação dos alimentos podem chegar à corrente sanguínea e contribuir para o processo.
 

 

Para tentar responder a essa pergunta, investigadores da Escola de Medicina Mount Sinai, em Nova Iorque, examinaram dois grupos de diabéticos, colocados sob a mesma dieta. Um dos grupos continuou a preparar os seus alimentos normalmente, enquanto o outro grupo passou a cozinhar em temperaturas mais baixas.
 

 

Quando os diabéticos passaram por testes para verificar o nível de substâncias químicas, os que tinham cozinhado como normalmente apresentaram uma quantidade maior do que os que passaram a cozinhar em lume brando. Os primeiros também apresentaram níveis mais altos de substâncias químicas relacionadas com inflamações dos tecidos dos vasos sanguíneos. Isso sugere, segundo os investigadores, que os níveis de substâncias químicas na comida podem ter um impacto nos níveis encontrados na corrente sanguínea.
 

 

Alan Stitt, um especialista em diabetes vascular na Queen s University, em Belfast, disse à BBC que muitos investigadores ainda não estão convencidos de que as substâncias químicas encontradas na comida poderiam chegar à corrente sanguínea. «Esta é uma daquelas ideias que não são amplamente aceitas. Na minha opinião, essas substâncias têm um papel importante, mas ainda há muito estudo a ser feito para que isso seja provado.»
 

 

Segundo o especialista, os diabéticos com problemas sérios nos rins são os que poderiam ser mais prejudicados pelas substâncias químicas encontradas nos alimentos, porque os seus corpos têm menos capacidade de remover o excesso dessas substâncias.
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

 

BBC
 

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