Diabetes tipo 2: um novo ângulo de ataque

Estudo publicado na revista “Nature Medicine”

08 outubro 2014
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A diabetes tipo 2 pode ser combatida através da modificação de um fármaco que atualmente é utilizado para eliminar os parasitas intestinais, dá conta um estudo publicado na revista “Nature Medicine”.
 

Atualmente, os fármacos existentes apenas tratam os sintomas da doença, não a sua causa. De acordo com o líder do estudo, Victor Shengkan Jin, é muito importante encontrar, o mais depressa possível, a medicação adequada para corrigir a causa da doença, uma vez que a única cura envolve uma extensa cirurgia de bypass gástrico. Contudo, este tipo de procedimento apenas pode ser realizado em indivíduos muito obesos e está associado a riscos significativos, incluindo a morte, não sendo assim uma solução realista para a maioria dos pacientes.
 

De acordo com o investigador, a principal causa da resistência à insulina está na acumulação do excesso de gordura nas células do fígado, assim como nos tecidos dos músculos. A gordura afeta o processo onde habitualmente a insulina faria com que os tecidos absorvessem corretamente a glucose e a utilizassem como fonte de energia. Sem outro lado para ir, muito do excesso de glucose permanece na corrente sanguínea, onde, em concentrações elevadas, pode danificar os tecidos do organismo, conduzindo potencialmente à cegueira, danos nos rins, doenças cardiovasculares e outros problemas de saúde graves.
 

Assim, neste estudo, os investigadores da Escola Médica Rutgers Robert Wood Johnson, nos EUA, tentaram encontrar uma forma segura e prática de diminuir a quantidade de gordura no fígado. Através de experiências realizadas em ratinhos, os investigadores conseguiram remover a gordura e melhorar a capacidade de os animais utilizarem corretamente a insulina, reduzindo consequentemente os níveis de glucose no sangue.
 

Estes resultados foram alcançados através da modificação do fármaco NRN, o qual queima o excesso de gordura nas células do fígado. Este processo envolve as mitocôndrias, as fontes microscópicas de energia de cada célula, que queimam as fontes de energia, incluindo as gorduras e os açúcares, em quantidades moderadas, para manter as células em funcionamento.   
 

Os autores do estudo explicam que a eliminação da gordura no fígado e nos músculos é importante para restaurar a capacidade de as células responderem adequadamente à insulina e permitir que a quantidade certa de glucose seja absorvida pelas células, revertendo por completo a diabetes.
 

Os investigadores referem que o fármaco utilizado no estudo é uma forma modificada de um medicamento já aprovado pela FDA para o uso humano. "Queríamos um composto seguro e prático capaz destruir gordura no interior das células. Após pesquisa bibliográfica encontrámos um que faz aos parasitas aquilo queríamos fazer em células do fígado. A forma modificada do fármaco, apesar de ainda não ter sido utilizada em humanos, tem um excelente perfil de segurança noutros mamíferos, apresentando assim muito provavelmente bom perfil de segurança também em humanos”, referiu, Victor Shengkan Jin.
 

O excesso de gordura no fígado não é apenas uma condição da obesidade, os indivíduos com peso normal podem desenvolver fígados gordos e diabetes tipo 2. Assim, o investigador conclui que este tipo de medicação, se for eficaz, pode tratar de forma segura pacientes de diferentes gamas de peso.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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