Diabetes tipo 2: testosterona aumenta sensibilidade à insulina

Estudo publicado na revista “Diabetes Care”

02 dezembro 2015
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Os homens com diabetes tipo 2 que têm níveis baixos de testosterona podem beneficiar de um tratamento com esta hormona, defende um estudo publicado na revista “Diabetes Care”.
 
“Esta é a primeira evidência definitiva que a testosterona é um sensibilizador da insulina e, portanto, uma hormona metabólica”, revelou, em comunicado de imprensa, o líder do estudo, Paresh Dandona.
 
Em 2004, os investigadores da Universidade de Buffalo, nos EUA, já tinham constatado, em ratinhos com diabetes, que havia uma relação entre a sensibilidade à insulina e a testosterona. Esta associação foi mais tarde estendida à obesidade através de um estudo que inclui mais de 2.000 homens obesos. Verificou-se que 33% dos homens com diabetes tipo 2, independentemente do facto de serem ou não obesos, e 25% dos obesos não diabéticos apresentavam concentrações baixas de testosterona.
 
“Colocamos a hipótese de a testosterona poder funcionar como um agente anti-inflamatório e sensibilizador da insulina, uma vez que já se conhece há algum tempo que a testosterona reduz a adiposidade e aumenta o músculo-esquelético. O nosso estudo anterior demonstrou que a obesidade está associada ao stress oxidativo e à inflamação, e os mediadores inflamatórios são conhecidos por interferir com a sinalização da insulina”, referiu o investigador.
 
Para este estudo, os investigadores contaram com a participação de 94 homens com diabetes tipo 2. Antes do tratamento, os 44 homens com níveis baixos de testosterona expressavam níveis significativamente baixos de genes envolvidos na sinalização da insulina, ou seja, apresentavam uma menor sensibilidade à insulina. Estes homens receberam aleatoriamente um injeção de testosterona ou um placebo semanalmente ao longo de 24 semanas.
 
O estudo apurou que apesar de não se ter observado alterações no peso corporal, o tratamento com testosterona conduziu a uma redução de 3Kg no peso total de gordura e, por outro lado, aumentou a massa muscular na mesma quantidade.
 
Os investigadores verificaram também que houve um aumento dramático na sensibilidade à insulina, tendo-se observado um aumento de 32% na captação da glucose pelos tecidos em resposta à insulina. Simultaneamente houve um aumento similar na expressão dos principais genes que medeiam a sinalização da insulina. 
 
Apesar dos níveis da hemoglobina A1C não terem diminuído, os níveis de glucose em jejum diminuíram significativamente, 12 miligramas por decilitro. Na opinião do investigador poderão ser observadas melhorias mais significativas na hemoglobina A1C quando forem realizados estudos com uma duração mais longa.
 
“O tratamento com testosterona para os homens, quando indicado, irá melhorar a função sexual e aumenta a força da massa muscular e a densidade óssea”, conclui, Paresh Dandona.
 
Os investigadores estão ainda interessados em explorar como o tratamento com testosterona pode ter impacto na resistência à insulina e inflamação em populações específicas de pacientes, tais como aquelas com insuficiência renal crónica e hipogonadismo.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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