Diabetes tipo 2: nova possibilidade de tratamento?

Estudo publicado na revista “Science Translational Medicine”

30 dezembro 2015
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Investigadores americanos desenvolveram uma terapia que pode potencialmente ser utilizada para tratar a diabetes tipo 2, a doença do fígado gordo e outras doenças metabólicas, dá conta um estudo publicado na revista “Science Translational Medicine”.
 
Os investigadores da Universidade de Harvard, nos EUA, desenvolveram um anticorpo que melhora a regulação da glucose e reduz o fígado gordo nos ratinhos obesos, ao ter por alvo uma hormona no tecido adiposo denominada por aP2 ou FABP4.
 
“Este estudo é importante uma vez que demonstra, em primeiro lugar, a importância da aP2 como uma hormona fundamental no metabolismo anormal da glucose e em segundo lugar que a hormona pode de facto ser um alvo eficaz para tratar a diabetes e outras doenças imunometabólicas”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Gökhan S. Hotamisligil.
 
O aumento do tecido adiposo característico da obesidade há muito que tem sido associado a um maior risco de doenças metabólicas, como a diabetes tipo 2 e a doença cardiovascular. Recentemente, tem ficado claro que o tecido adiposo desempenha um papel ativo na doença metabólica, em parte pela libertação de hormonas que atuam em locais distantes como o fígado, músculo, e cérebro que afeta o sistema metabólico. 
 
Estudos anteriores realizados pela mesma equipa de investigação já tinham apurado que a aP2 desempenhava um papel importante na mediação da comunicação entre o tecido adiposo e o fígado. Uma vez que os níveis de aP2 estão significativamente aumentados nos indivíduos com obesidade, diabetes e aterosclerose e as mutações que reduzem a aP2 resultam numa redução significativa do risco da diabetes, dislipidemia e doenças cardíacas, as estratégias que modificam a função da hormona podem funcionar como novas linhas terapêuticas contra estas doenças crónicas comuns e debilitantes.
 
Neste estudo os investigadores descrevem o desenvolvimento e avaliação de anticorpos monoclonais contra a aP2. Os investigadores constataram que um destes anticorpos melhorava de facto a regulação da glucose em dois modelos independentes da obesidade. Foram ainda observadas reduções benéficas no fígado gordo.
 
Estes anticorpos monoclonais têm o potencial de combater a doença metabólica associada à obesidade e doença imunometabólica. Os autores do estudo referem que, no entanto, este trabalho ainda se encontra numa fase pré-clínica e irá necessitar de uma avaliação extensa em termos de segurança e eficácia antes de ser utilizado nos humanos.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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