Diabetes tipo 2: método de diagnóstico tem de ser revisto

Estudo publicado na revista “Plos One”

09 setembro 2014
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A atual forma de diagnosticar a diabetes tipo 2 através dos níveis de glucose no sangue necessita de ser revista, defende um estudo publicado na revista “Plos One”.
 
Os investigadores da Universidade de Manchester e do King College London, no Reino Unido, defendem que, através do atual método de diagnóstico, os pacientes são diagnosticados demasiado tarde, podendo os vasos sanguíneos estar já danificados.
 
A diabetes tipo 2, que afeta mais de 90% de todos os adultos com diabetes, conduz frequentemente a danos no coração e problemas nos vasos sanguíneos do cérebro, olhos e rins. Esta é uma condição que está intimamente associada aos níveis de obesidade, falta de exercício físico, adoção de dietas pouco saudáveis e envelhecimento da população.
 
Neste estudo, liderado por Kennedy Cruickshank, os investigadores acompanharam mulheres previamente grávidas que tinham sido identificadas como tendo um risco elevado, intermédio e baixo de desenvolver diabetes tipo 2. Foram analisados os marcadores bioquímicos no sangue antes de a glucose atingir níveis elevados, ou seja, antes de as pacientes atingirem um estádio de pré-diabetes. 
 
O estudo apurou que as alterações nos tipos de metabolitos sanguíneos de gordura (partículas de origem natural que compõem a gordura no sangue) parecem ser bons indicadores do desenvolvimento da diabetes tipo 2. As alterações nos níveis destas partículas foram detetadas bem antes das alterações associados à glucose sanguínea, que atualmente definem a diabetes tipo 2 ou pré-diabetes.
 
De acordo com Kennedy Cruickshank, estes resultados podem ser importantes para um futuro diagnóstico e consequentes tratamentos. ”Verificámos que vários grupos de metabolitos de gordura, também associados à gordura corporal, se alteraram, bem como outros, incluindo alguns aminoácidos e, em certa medida, a vitamina D, antes de os níveis de glucose terem aumentado no período de pré-diabetes”.
 
Os danos que ocorrem nos vasos sanguíneos fazem parte da condição, mas os problemas nos vasos surgem antes de se produzir um aumento da glucose no sangue. Assim, os investigadores defendem que em vez da concentração exclusiva nos tratamentos direcionados à glucose, que não aumentam a saúde vascular, é necessária uma definição diferente da diabetes tipo 2 , em parte tendo por base a distribuição de metabolitos de gordura no sangue na fase de pré-diabetes. 
 
O investigador acrescentou ainda que o objetivo da equipa é agora identificar um biomarcador ou uma alteração numa via de sinalização associada à saúde dos vasos sanguíneos e subsequentemente à diabetes.
 
“Em última análise isto pode conduzir a um teste sanguíneo específico para identificar o risco de diabetes tipo 2 precoce e, acima de tudo, a conduzir a modificações no estilo de vida num estádio precoce, de forma a reduzir o impacto a longo prazo da doença”, conclui, Kennedy Cruickshank.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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