Diabetes tipo 2 existe?

Estudo publicado na revista “The Lancet”

05 junho 2013
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O termo diabetes tipo 2 está a gerar alguma controvérsia entre a comunidade médica e a resultar no tratamento subótimo dos pacientes, dá conta um estudo publicado na revista “The Lancet”.

 

“A aplicação do termo diabetes tipo 2 ao complexo e variado conjunto de sintomas experimentados pelos indivíduos com esta condição é o que os lógicos apelidam de erro de categorização, ou seja, quando um problema é categorizado inapropriadamente de acordo com a sua solução” revelou o investigador Edwin Gale, do Southmead Hospital, no Reino Unido.
 

“Quando se dá um nome a algo, implica uma identidade, significa que realmente existe. Na prática quando alguém como eu fala em diabete tipo 2, estou a referir-me a um tipo de diabetes para a qual não encontrei outra causa. Por outras palavras, é um diagnóstico de exclusão…há várias condições, espetros e severidades de doença, todas incluídas nesta definição”, referiu o investigador.
 

O diagnóstico da diabetes tipo 2 é feito quando o organismo do paciente não é capaz de produzir insulina suficiente, ou quando a insulina produzida não funciona apropriadamente, conduzindo a problemas na manutenção dos níveis de glucose.
 

Contudo, o investigador defende que, uma vez que os sintomas associados ao termos diabetes tipo 2 têm causas, mecanismos e tratamentos bastante diferentes, o termo é enganador tanto para os investigadores como para os pacientes.
 

De acordo com Edwin Gale, tratar a diabetes como uma única doença “fez com que algumas gerações de investigadores desperdiçassem tempo em busca de uma entidade indefinida”. Adicionalmente, também conduziu à falha de um tratamento satisfatório e risco de controlo da doença.
 

Apesar de ser provável que a entidade da diabetes tipo 2 ainda continue a existir ao longo dos próximos anos, o investigador defende uma solução provisória, propondo a substituição da diabetes tipo 2 pelo termo hiperglicemia idiopática, o que poderá encorajar os médicos a parar de pensar na condição como uma doença em si mas com o resultado de vários processos que interagem entre si. Uma vez que este processo varia de indivíduo para indivíduo, o tratamento deveria ser personalizado
 

"Um problema que não pode ser definido em termos científicos também não pode ter uma solução científica. Quando um século de esforço científico conclui que não se pode definir o que estamos a debater, talvez esteja na altura de ajustar as nossas mentes”, defendeu o investigador.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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