Diabetes tipo 2 e as desigualdades sociais

Um desafio em tempos de crise

12 dezembro 2012
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A baixa escolaridade, o desemprego, as más condições de habitação ou as dificuldades no acesso a cuidados de saúde podem potenciar a prevalência da diabetes, principalmente a de tipo 2, de acordo com a especialista em geografia da saúde.
 

Paula Santana revelou à agência Lusa que, a diabetes de tipo 2 “tem vindo a revelar-se como uma patologia associada a grupos socioeconómicos mais desfavorecidos”, com uma prevalência mais elevada em pessoas com baixa escolaridade, em situação de desemprego, que vivem em más condições de habitação ou com mais dificuldades em aceder a cuidados de saúde, ao contrário da diabetes de tipo 1, que é genética.
 

De acordo com a especialista, não estão ainda totalmente identificados os fatores de risco biológicos e comportamentais para a diabetes tipo 2, mas vários estudos apontam para que o excesso de peso e/ou obesidade e a falta de exercício físico tenham um forte contributo.
 

A diabetes tipo 2 “tem vindo a revelar-se como uma patologia associada a grupos socioeconómicos mais desfavorecidos, sendo a sua prevalência mais elevada em indivíduos e contextos de privação sociomaterial ou ausência de estilos de vida saudáveis, como a prática de atividade física, ou com dificuldades no acesso aos cuidados de saúde”.
 

Paula Santana refere que um acesso diferenciado à educação em diabetes e aos cuidados de saúde primários é uma importante causa de resultados positivos em pessoas com diabetes, ao mesmo tempo que quando não é garantido a todos o acesso a cuidados de saúde adequados, pode estar em causa o perpetuar das desigualdades sociais na diabetes.
 

Segundo a especialista, é possível retardar o surgimento da diabetes tipo 2 através da prevenção e apontou que a combinação de perda de peso moderada com o aumento da atividade física pode levar a uma redução de 60% na incidência da diabetes em indivíduos geneticamente vulneráveis ou de alto risco.
 

“Intervenções que têm uma forte componente de educação para comportamentos e estilos de vida saudáveis podem atenuar o impacto das desigualdades sociais no desenvolvimento da diabetes”, disse. A mudança de comportamentos só consegue ser estimulada em ambientes que criem oportunidades para comportamentos saudáveis.
 

Na opinião de Paula Santana, o desafio em tempos de crise está em criar programas públicos de prevenção da diabetes, das suas complicações e consequências, desenvolvendo e avaliando formas de perceber os fatores que tornam as pessoas mais vulneráveis.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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