Diabetes tipo 1 e a baixa exposição aos microrganismos

Estudo apresentado no encontro da Society for Endocrinology

22 março 2013
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O aumento global da diabetes tipo 1 poderá estar associado a uma redução da exposição a patogénios no início da vida, sugere um estudo apresentado no encontro anual da Society for Endocrinology.
 

A diabetes 1 é causada quando o sistema imunitário destrói as células do pâncreas que produzem insulina, deixando o paciente incapaz de controlar o açúcar no sangue. Estima-se que esta doença afete meio milhão de crianças em todo o mundo, tendo a sua incidência aumentado 3% por ano.
 

Este aumento está bem documentado e associado aos países desenvolvidos. Contudo, até à data não se encontrou uma explicação para o aumento observado. Uma das teorias inclui a hipótese higienista que sugere que a exposição do sistema imune em desenvolvimento a microrganismos faz parte da evolução humana e pode, consequentemente, proteger contra o desenvolvimento da autoimunidade.
 

Neste estudo, os investigadores da University of Malta decidiram averiguar se os marcadores de doenças infeciosas poderiam estar associados à incidência local da diabetes tipo1. Os investigadores, Alexia-Giovanna Abela e Stephen Fava, utilizaram dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) e de um projeto conhecido por Alexander Project para correlacionar a incidência da diabetes tipo 1 por país, com a mortalidade por doenças infeciosas e suscetibilidade das bactérias aos antibióticos.
 

O estudo apurou que as taxas de diabetes tipo 1 eram mais elevadas em países com baixa mortalidade por doenças infeciosas. O estudo teve em conta a mortalidade devido a doenças infeciosas, bem como mortes causadas especificamente por diarreia, doenças respiratórias, tuberculose e infeções por parasitas. Foi também verificado que as taxas de diabetes tipo 1 estavam significativamente associadas com a suscetibilidade da bactéria Streptococcus pneumonia e com os antibióticos estudados.
 

Assim, este estudo sugere que poderá haver uma associação entre as taxas de diabetes tipo 1 e a incidência de doenças infeciosas. “Estes dados apoiam a chamada hipótese higienista, a qual defende que o sistema imunitário poderá sofrer alteração e ser atacado por células do próprio organismo caso não seja regularmente exposto a microrganismos”, revelou, em comunicado de imprensa, Stephen Fava.
 

O investigador acrescenta porém que são necessários mais estudos que identifiquem outros fatores ambientais que poderão estar associados ao contínuo aumento das taxas de diabetes tipo 1.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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