Diabetes tipo 1: desenvolvida insulina inteligente

Estudo publicado na “Proceedings of the National Academy of Sciences”

12 fevereiro 2015
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Investigadores americanos desenvolveram uma insulina de longa duração, a Ins-PBA-F, que se auto-ativa quando os níveis de glucose aumentam, dá conta um estudo publicado na revista “Proceedings of the National Academy of Sciences”.
 

Os investigadores da Universidade de Utah, nos EUA, verificaram em modelos de ratinhos que os efeitos de uma injeção deste tipo de insulina duram pelo menos 14 horas, período durante o qual pode reduzir repetidamente e automaticamente os níveis de glucose no sangue após a administração de quantidades de glucose comparáveis às ingeridas na alimentação.
 

Os pacientes com diabetes tipo 1 têm de monitorizar os seus níveis de açúcar várias vezes ao dia e determinar quando e quanta insulina devem administrar. Um erro de cálculo ou um lapso na administração de insulina pode fazer com que os níveis de glucose atinjam níveis demasiado elevados (hiperglicemia), conduzindo possivelmente a doenças cardíacas, cegueira ou outras complicações a longo prazo. Por outro lado, se os níveis de glucose atingirem níveis muito baixos (hipoglicemia) pode induzir o coma ou levar mesmo à morte.
 

Apesar dos avanços em torno do tratamento da diabetes, como bombas de insulina e o desenvolvimento de quatro tipos de insulina, os pacientes continuam a ter que ajustar manualmente a quantidade de insulina administrada diariamente. Os níveis de glucose variam bastante em função de vários fatores, incluindo alimentação e prática de exercício físico.
 

Deste modo, uma insulina sensível à glucose que é ativada automaticamente quando os níveis de açúcar no sangue são muito elevados, eliminaria a necessidade de injeções adicionais e reduziria os perigos associados a uma quantificação incorreta. Apesar de estarem em desenvolvimento várias insulinas “inteligentes”, muitas delas apresentam efeitos secundários indesejáveis.
 

Esta nova insulina inteligente, a Ins-PBA-F, foi criada através da modificação química da insulina. Esta insulina consiste num derivado da insulina de ação prolongada que tem um motivo químico, o ácido fenilborónico, num dos extremos. Em condições normais a Ins-PBA-F liga-se a proteínas séricas que circulam na corrente sanguínea, bloqueando a sua atividade. Quando os níveis de glucose são demasiado elevados estes ligam-se ao ácido fenilborónico fazendo com que a Ins-PBA-F seja libertada.
 

O estudo apurou ainda que a Ins-PBA-F é mais rápida a diminuir os níveis de glucose do que a insulina de ação prolongada detemir.
 

De acordo com um dos autores do estudo, Danny Chou, como a Ins-PBA-F é uma versão quimicamente modificada de uma hormona natural, é muito provável que seja segura o suficiente para ser utilizada numa base diária, de um modo semelhante a outros derivados de insulina que já estão atualmente no mercado.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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