Diabetes: "saltar" o pequeno-almoço conduz a picos de glucose no sangue

Estudo publicado na revista “Diabetes Care”

13 agosto 2015
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Não tomar o pequeno-almoço tem vindo a ser associado à crescente epidemia da obesidade e a problemas cardiovasculares. Um novo estudo publicado na revista “Diabetes Care” sugere que fazer jejum até meio do dia pode também afetar a saúde dos diabéticos, uma vez que conduz a picos de glucose, hiperglicemia pós-prandial, e afeta a resposta à insulina ao longo do resto do dia.
 
Apesar de muitos estudos já terem demonstrado os benefícios de um pequeno-almoço calórico na perda de peso e na regulação do metabolismo da glucose, pouco se sabia sobre o efeito de "saltar" o pequeno-almoço nos picos de glicemia após as refeições ao longo do dia.
 
“É notável que, para os indivíduos com diabetes tipo 2, a omissão de pequeno-almoço esteja associada a um aumento significativo dos picos de açúcar no sangue ao longo do dia e da HbA1C” revelou, em comunicado de imprensa, uma das autoras do estudo, Daniela Jakubowicz.
 
Para o estudo os investigadores da Universidade de Tel Aviv, em Israel, contaram com a participação de 22 indivíduos com diabetes tipo 2, com uma média de 56,9 anos e com um Índice de Massa Corporal (IMC) de 28,2 kg/m2. Ao longo de dois dias, os participantes consumiram precisamente o mesmo número de calorias e o mesmo tipo de refeição – leite, atum, pão e uma barra de chocolate ao pequeno-almoço – ao almoço e ao jantar. Contudo, num dos dias eles tomaram o pequeno-almoço e no segundo dia jejuaram até ao meio-dia.
 
“Em teoria sabíamos que a omissão do pequeno-almoço poderia não ser muito saudável, mas foi surpreendente verificar o elevado grau de deterioração do metabolismo da glucose apenas porque os participantes não tomaram o pequeno-almoço”, referiu a investigadora.
 
O estudo apurou que, nos dias em que os participantes não tinham tomado o pequeno-almoço, tiveram picos de glucose de 268 mg/dl após o almoço e 298 mg/dl após o jantar, comparativamente com 192 mg/dl e 215 mg/dl após o almoço e jantar, respetivamente, nos dias em que não evitaram o pequeno-almoço.
 
Na opinião da Daniela Jakubowicz, estes resultados significam que a quantidade de amido e açúcares ingeridos ao almoço e jantar não têm qualquer efeito na redução dos níveis elevados de glucose se os indivíduos diabéticos evitarem o pequeno-almoço.
 
De acordo com os investigadores, as células beta pancreáticas que produzem insulina perdem a “memória” devido ao longo período de jejum, entre o jantar e o almoço do dia seguinte, esquecendo-se da sua função vital. Desta forma, demora algum tempo após o almoço para as células beta recuperarem, o que causa repostas pequenas e atrasadas à insulina e um aumento exagerado dos níveis de glucose no sangue ao longo do dia. Adicionalmente fazer jejum até à hora do almoço aumenta os ácidos gordos no sangue, o que faz com que a insulina seja ineficaz na redução dos níveis de glucose.
 
“Aconselhamos os indivíduos com diabetes tipo 2 a não evitarem o pequeno-almoço, uma vez que isso causa danos na função das células beta e conduz a elevados níveis de açúcar, mesmo que não comam em demasia ao almoço e ao jantar”, aconselhou a Daniela Jakubowicz.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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